sábado, 17 de novembro de 2007

Rapidinhas


Por Odisseu Kapyn

Do maiô pro sungão

Rebeca Gusmão disse que produz essas enormes quantidades de testosterona por conta própria, sem ajuda de drogas. Declarou que seu doping é natural. Olha, não acho nada natural produzir esse índice másculo de hormônio. Acho que tem algo errado no corpo da nadadora. Ela devia então era ter competido no Parapan. Sério mesmo. Se vocês repararem nas fotos da época do Pan, não tinha de estranho só o lance dos muques e dos peitorais que ofuscavam bustorais. Ela aparecia com uns problemas de pele no rosto também. Acho que não soube escolher direito a loção pós-barba. Vou parar de chamar a nadadora de Rebeca. Pra mim, agora é Gusmão.

Encestando fundo

O técnico do Los Angeles Lakers, Phil Jackson, após a derrota para o San Antonio Spurs, mandou uma piadinha numa declaração à imprensa, ao fim da derrota de seu time. Disse o sujeito: “Chamamos isso um jogo ao estilo ‘Brokeback Mountain’, porque tem muita penetração e arremesso. Este foi um daqueles jogos!. Para os ‘insensíveis’ que não sabem o que é ‘Brokeback Mountain’, trata-se de um filme americano no qual dois caubóis brincam de montar e desenvolvem um relacionamento homossexual. A piada do cara foi boa, pois o San Antonio é do Texas, terra de caubóis. Mas a NBA teve que se ajoelhar diante da ditadura do politicamente correto e pediu explicações aos Lakers. Mas vejam a frase do técnico ao se desculpar pela declaração: “Olhando para trás, não foi engraçado”. Grande Phil. Não perde a piada nunca.

Acosta e acabeça

O jogador uruguaio Acosta, que joga pelo Náutico, quase foi comer gramado pela raiz depois de um acidente de trânsito. Foi mais uma vítima de um entrada de carrinho, no caso, de uma entrada num poste. Ele foi socorrido e levou 11 pontos na cabeça, tendo leve traumatismo craniano. Os danos mais graves foram no ouvido. Acosta estava voltando de um pagode.

Nova meta

O goleiro Roger, do Botafogo, declarou que pretende se dedicar à política no ano que vem, ao se aposentar. Quer se candidatar a vereador em sua terra natal, Cantagalo. Faz sentido. É normal o cara ficar famoso num lugar e voltar pra cidade do interior, onde se torna uma celebridade. O cara engole uns frangos aqui e canta de galo lá.

Na margem do Brasil 2014 eu sentei e chorei

Ficou claro para todos que só ganhamos o direito a ser sede da Copa do Mundo de 2014 graças à presença de Paulo Coelho na cerimônia. Só mostrando ao mundo que temos um mago disposto a nos ajudar é que convencemos todos que vamos conseguir construir todos os estádios até lá.

Esportes que não são

Continuando a série da desmitificação esportiva, serei breve ao explicar por que o tênis de mesa não é um esporte. O motivo é simples: coerência. Pra começar, vamos dar o verdadeiro nome à prática: é pingue-pongue. Na verdade, o pingue-pongue é apenas uma versão miniaturizada (daí o sucesso de alguns japoneses) do tênis. Se pingue-pongue é esporte, então o futebol de botão também é. Ora, ambos levam para a mesinha os princípios de um esporte de verdade. Vamos logo começar a campanha para levar o botão para as Olimpíadas. Há muito trabalho a ser feito, pois o Comitê Organizador do RIO 2007 falhou vergonhosamente ao não mostrar o futebol de mesa como esporte de demonstração. Mas tem que ser com dadinho.

Odisseu Kapyn dá as costas para filmes de caubóis. Ganhou fama no Cocadaboa. Hoje, escreve na Revista M... e no blog Humor Marrom, e faz comédia stand-up com o grupo Ponto Cômicos na Casa da Piada, em Copacabana, e na Taverna Greenman, em Botafogo.
Faz suas gracinhas aqui aos domingos
.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

MLB, a exceção

Brasileiro Jo Matumoto em ação nas divisões de base do Blue Jays (foto: MLB)

Por Fernando Andrade

Algumas vezes, paro para pensar e chego à conclusão de que algumas pessoas têm razão quando dizem que o beisebol é o mais complicado dos esportes. Não tanto pela regra, mas por tudo que envolve seu principal campeonato. O caminho para a carreira nas Grandes Ligas é um exemplo disso.

Qualquer pessoa que acompanhe as principais ligas esportivas dos Estados Unidos sabe que o draft é a principal fonte de atletas para as equipes. No geral, existe uma ordem de escolha e uma lista de jogadores candidatos, em sua maioria, universitários americanos. O primeiro time da ordem seleciona o atleta que lhe interessa, depois vem a segunda equipe, a terceira, assim sucessivamente.

Na NBA, só nos últimos anos, tivemos as escolhas de LeBron James, Yao Ming e Carmelo Anthony, por exemplo. No futebol americano, os times da NFL usam o mesmo sistema para suprir suas necessidades de jogadores: os lendários quarterbacks John Elway e Dan Marino foram selecionados por Baltimore Colts e Miami Dolphins, respectivamente, na primeira rodada do draft de 1983.

Mas e no beisebol?

Bem, a MLB é um caso a parte no esporte americano. Há sete anos não temos nenhum jogador “draftado” que tenha ido direto para uma equipe da Major League. O último foi o infielder Xavier Nady, então escolhido pelo San Diego Padres e que só fez um jogo pela equipe durante seu primeiro ano como profissional. Na verdade, ele só teve uma oportunidade no bastão e, depois, foi enviado para as Minor Leagues, onde as equipes da MLB mantém seu farm system, que serve para amadurecer os jogadores, que atuam pelos clubes afiliados até que eles tenham condições de integrar os clubes principais.

A Minor League Baseball, para facilitar – ou complicar – a compreensão, é dividida em diversas categorias, destacando-se a AAA como a mais forte e decrescendo em AA, A Avançado, A, A de temporada curta, até chegar a Rookie. Cada uma dessas categorias divide-se em ligas menores, como: Liga Internacional, Liga Mexicana e Liga da Costa do Pacífico, só para citar a AAA. Compliquei mais?

Em um português mais claro, dificilmente um jogador sai do draft direto para a MLB. Quando selecionado por um time da Major League, o atleta, invariavelmente, é encaminhado pelo clube para seus times nas categorias de base. Um bom exemplo disso é o segunda-base do Boston Red Sox, Dustin Pedroia, que essa semana recebeu o prêmio de Rookie of the Year (Melhor Calouro do Ano). Em 2004, Pedroia, que jogava pela Universidade Arizona State, foi selecionado pelo Red Sox e enviado para os times de base, até que o Boston solicitasse sua promoção ao Pawtucket Red Sox (equipe B do clube de Boston).

Mas não são só os jogadores provenientes das universidades que integram os times da Minor League Baseball. Como o beisebol é o mais globalizado dos esportes profissionais americanos, é muito comum que jogadores estrangeiros passem algumas temporadas de observação e, principalmente, adaptação nas equipes de base. Claro que alguns, já grandes estrelas em seus países, seguem direto para as grandes equipes, mas a maioria ainda rói bastante o osso, antes de chegar ao tão saboroso steak que é a vida de um profissional da MLB.

Alguns brasileiros também enfrentam a rotina dura das equipes da Minor League, enquanto sonham com a vida de astros do beisebol americano. O arremessador Jô Matumoto defende o New Hampshire Fisher Cats (AA do Toronto Blue Jays). Já o jardineiro-central Paulo Orlando joga pelos Winston-Salem Warthogs (A do Chicago White Sox).

Além deles, muitos outros já passaram pela mesma situação, mas nenhum se destacou tanto quanto o arremessador José Pett, que foi o brasileiro com mais chances de jogar na Major League. Segundo os olheiros do Toronto Blue Jays na época, 1991, José Pett, aos 16 anos, foi o arremessador mais bem preparado que já existiu com sua faixa etária. De fato, eles gostaram tanto que lhe deram um contrato de 700 mil dólares. Entretanto, por causa de uma série de lesões, José Pett, que chegou ao Syracuse Chiefs (AAA do Blue Jays) não conseguiu atingir o nível esperado pela equipe canadense. Ele defendeu, ainda, equipes de base do Pittsburgh Pirates e do Cleveland Indians.

Vamos torcer para que, em breve, tenhamos um brasileiro chegando a uma equipe da Major League Baseball. Seria um importante empurrão para o crescimento do esporte no Brasil.

***

Primeiros dias de liberdade para os clubes negociarem com os jogadores sem contrato, mas o primeiro grande negócio a ser fechado foi uma renovação. O catcher Jorge Posada fica nos Yankees por mais quatro anos e vai receber a bagatela de 52,4 milhões de dólares.

E vale cada centavo pago por George Steinbrenner.

Fernando Andrade passou de fã a companheiro de transmissões de Ivan Zimmerman. Jornalista, trabalhou nas rádios Tupi, Nativa, Jovem Pan e Paradiso. É jogador, treinador e presidente da Federação Carioca de Beisebol e Softbol, e escreve sobre o esporte às quartas-feiras.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Novos tempos, velhos hábitos

Lauda com a Ferrari, em 1976: contra Enzo, uma prévia de Alonso vs Ron Dennis

Por Otto Jenkel

Semana passada, foi anunciada oficialmente a saída de Fernando Alonso da McLaren. O espanhol rompeu seu contrato de dois anos com a equipe inglesa, do qual cumpriu apenas um, fato extremamente raro com campeões mundiais, mas não totalmente inédito.

O caso anterior aconteceu em 1956, com Juan Manuel Fangio, na Ferrari. O argentino já havia trocado de equipe várias vezes. Passou dois anos na Alfa Romeo, em 1950 e 1951, sendo campeão neste último ano. Com a retirada da equipe italiana da F1, transferiu-se para a Maserati em 1952, onde ficou até 1954. No meio dessa temporada, foi para a Mercedes Benz e acabou campeão, estabelecendo um feito inédito e jamais igualado : ser campeão com dois carros diferentes no mesmo ano.

O título de 1954 seria repetido em 1955 com a Mercedes. Mas a marca alemã se retiraria de todas as competições automobilísticas após um acidente nas 24 horas de Le Mans de 1955, no qual um carro esporte de sua equipe, pilotado pelo francês Pierre Levegh, voou sobre o público, matando 83 espectadores. Foi o maior acidente da história de todas as competições de automóvel até os dias de hoje.

A retirada da Mercedes em 1955 levou Fangio à Ferrari em 1956. Mas seria um ano complicado. Enzo Ferrari sempre acreditou que quem vencia corridas eram os seus carros, não importava pilotados por quem. Fangio estava longe de ser um piloto qualquer, e não aceitou ser colocado em segundo plano. De fato, os pilotos da Scuderia da época, Eugênio Castellotti, Luigi Musso, Alfonso de Portago e Peter Collins, embora bons, estavam longe de ser excepcionais. Fangio destoava, e terminou o ano conquistando o quarto de seus cinco títulos. Mas o mau relacionamento com Enzo e vários diretores da Ferrari o fizeram abandonar a equipe com apenas um ano de permanência.

A tensão costumava fervilhar em Maranello. Dizia-se que apenas os pilotos que encontraram a morte nas pistas à bordo de uma Ferrari não se desentenderam com o velho Enzo, porque não houve tempo. Exagero ou não, o tabu fazia certo sentido, principalmente se pensarmos nos pilotos que foram campeões mundiais pela Ferrari na época em que Enzo dava as ordens.

Dois morreram prematuramente: Alberto Ascari, bicampeão em 1952/53, que faleceu em um acidente em Monza em 1955, e Mike Hawthorn, morto num acidente rodoviário em 1959, poucos meses depois de ter conquistado o título de 1958. Fora esses dois, todos os outros campeões saíram brigados com Enzo: Fangio, Phil Hill, John Surtees e Niki Lauda. A única exceção foi Jody Scheckter, que foi campeão em 1979, e se retirou das pistas no ano seguinte.

O caso mais interessante foi o de Lauda. Campeão em 1975, quebrando um jejum de títulos da Ferrari que vinha desde 1964, o austríaco liderava o campeonato de 1976 com boa vantagem sobre James Hunt, da McLaren, quando sofreu um grave acidente no GP da Alemanha. Depois de ter ficado dias em estado de coma, e ter para sempre seu rosto desfigurado com as graves queimaduras que sofreu, Lauda se recuperou a ponto de voltar às pistas no GP da Itália, apenas um mês depois, obtendo um bom 4º lugar.

Quando chegou ao GP do Japão, última prova da temporada, Lauda ainda tinha três pontos de vantagem sobre Hunt. Na hora da largada, um verdadeiro dilúvio desabava sobre a pista. O austríaco não teve dúvidas, deu apenas uma volta e abandonou, alegando que a pista não oferecia a menor condição de segurança. Hunt acabou chegando em 3º, ganhando o título com um ponto de vantagem sobre Lauda.

Enzo e a imprensa italiana não o perdoaram. "Covardia" foi o comentário geral. Pouco importava que o austríaco houvesse escapado da morte poucos meses antes. Para a Ferrari, qualquer piloto que entrasse naqueles carros vermelhos deveria se entregar ao máximo. Morrer, se preciso. Lauda agüentou quieto. Sua vingança não tardaria.

No ano seguinte, apesar do clima tenso entre ele e a cúpula ferrarista, Lauda conquistaria facilmente o seu 2º título Mundial, por ocasião do GP dos EUA, quando restavam ainda duas provas para o fim do campeonato. Mas o austríaco nem quis esperar, simplesmente abandonou a equipe e nem as disputou. Sua vingança chegara e o velho Enzo confessou-se traído.

Após o título de 1977, a Ferrari ganharia com Jody Scheckter em 1979 e depois entraria em um longo jejum sem títulos, até o ano 2000, quando Michael Schumacher venceria o primeiro de seus cinco títulos consecutivos pela equipe vermelha. Enzo Ferrari morreu bem antes, em 1988, aos 90 anos. Seus métodos de relacionamento conturbado com os pilotos podem parecer, hoje, antiquados. Mas a julgar pelo que aconteceu esse ano entre Ron Dennis e Fernando Alonso, nem tanto.

Otto Jenkel trabalhou no FOCA TV, cobrindo o GP do Brasil, quando a prova era disputada no Rio. Acompanha Fórmula 1 desde meados da década de 70, "quando a F1 era perigosa e o sexo seguro, hoje inverteu". Escreve sobre Fórmula 1 às segundas-feiras.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Fim do sonho carioca

Pré-Olímpico masculino de basquete não terá a Arena como palco (foto: divulgação)

Por Marcelo Monteiro

A semana passada terminou com uma alegria para os trabalhadores do Brasil - um fim de semana prolongado - e com uma tristeza para os amantes do basquete em nosso país. A CBB desistiu da candidatura brasileira para ser sede do Pré-Olímpico Mundial Masculino no ano que vem, na Arena Olímpica do Rio.

O motivo alegado pela direção da entidade foi não ter como bancar os custos da competição – orçada em R$ 15 milhões. É uma razão forte. O valor é alto e certamente não conseguiria ser obtido na totalidade – talvez nem a metade – com patrocínios privados, venda de ingressos e outras rendas. Certamente, teria que entrar verba pública para bancar a competição, o que é questionado por muitos, com argumentos embasados - os governos têm outras prioridades.

É uma pena para a modalidade, porque, se a competição fosse disputada no país, as chances de a seleção masculina voltar a disputar o torneio olímpico de basquete – estivemos ausentes em Sydney 2000 e Atenas 2004 – seriam bem maiores. O apoio da torcida seria uma arma importantíssima na luta por uma das três vagas. Além do fato de o país receber uma competição de alto nível, o que despertaria a atenção do público para o basquete, que caiu bastante nos últimos anos.

Restam como candidatos à sede do torneio a Grécia e Porto Rico. Se a competição for disputada no país europeu, uma das vagas dificilmente deixará de ficar com os donos da casa. Além de contar com um excelente time – campeão europeu em 2005 e vice-campeão mundial no ano passado – treinado pelo ex-armador Giannakis, os gregos terão a seu lado a fanática torcida, que certamente vai tornar o ginásio um verdadeiro inferno para os adversários.

E Porto Rico? É um mistério como o país está sempre na bica para sediar eventos importantes. O Pré-Olímpico das Américas de 2003 foi realizado lá, fator decisivo para que a seleção de Piculin Ortiz se classificasse para os Jogos de Atenas. Talvez a explicação esteja nos dólares enviados dos Estados Unidos.

Além da desistência de sediar a competição, o Brasil perde ainda ao não ter um treinador definido. A CBB pretende anunciar o nome do novo comandante em janeiro. Certamente, é uma decisão que precisa ser tomada com calma, observando todas as alternativas disponíveis com atenção. Mas o ideal seria que esse treinador – estrangeiro – já estivesse observando os jogadores que atuam no nosso país e os brasileiros espalhados pelo exterior, ganhando um precioso tempo - que já é escasso - antes da luta pela vaga olímpica.

Qualquer nome que for indicado conhece Leandrinho, Nenê, Varejão, Splitter. Mas é importante que ele saiba quem são as outras opções para poder fazer as escolhas adequadas no ano que vem.

Bandejas

- A temporada da NBA começou e a primeira semana foi marcada por algumas surpresas. Cotado para o título do Leste, o Chicago Bulls perdeu as quatro primeiras partidas - caiu em casa diante do Philadelphia e do Clippers. Já o New Orleans Hornets tem campanha inversa, quatro vitórias em quatro jogos (venceu fora de casa o Lakers e o Denver). O armador Chris Paul vai se consolidando como um dos melhores jogadores da liga. E o Indiana, quem diria, ganhou as três primeiras.

- Mas nem só de surpresas vive a liga. Detroit e Boston seguiam perfeitos até esta quarta-feira (dia 7). E os jovens times do Portland e Seattle estavam zerados.

Marcelo Monteiro mal chega a 1,70m, mas é mortal nas bolas de três. Torcedor fanático do Atlanta Hawks, trabalhou por nove anos em sites das Organizações Globo. Hoje, empresta seus conhecimentos à Textual Assessoria. Escreve sobre basquete às quartas-feiras.

Ei, Catatau!

Zé Colméia e a fonte de inspiração, uma figura folclórica do beisebol americano

Por Fernando Andrade

Ele é orelhudo, amado por grande parte da população americana, divertido e folclórico, mas, antes que o Bernardo, editor deste site, morra do coração, não estou falando de nenhum personagem de desenhos animados. Na verdade, estou falando de Lawrence Peter Berra, um jogador e, ainda, um personagem que serviu de inspiração para que William Hanna e Joseph Barbera criassem o popular Zé Colméia. Lawrence, quando criança, foi apelidado com o nome com qual se tornaria famoso: Yogi Berra. Daí a influência sobre o personagem dos estúdios Hanna-Barbera, chamado de Yogi Bear na versão original, em inglês.

Parafraseando o baixinho Romário, Yogi, calado, é um poeta. Dono de uma habilidade inquestionável para o beisebol, Berra parecia ter algum problema de conexão entre o cérebro e a boca. Para facilitar o entendimento de alguns, ele seria o Vicente Mateus do beisebol. Autor de algumas das frases mais hilárias do esporte americano, o ex-catcher dos Yankees conseguia se enrolar até na hora de se defender - “Eu realmente não disse tudo que disse!” - afirmou Yogi Berra ao The Sporting News, discutindo as frases que o deixaram ainda mais famoso.

Mesmo quando tentava falar sobre outro assunto, como o cinema, por exemplo, ele costumava soltar suas pérolas: “Steve McQueen deve ter feito esse filme antes de morrer”.

Mas a verdade é que, independente do que tenha falado, ou do que tenham creditado a ele, Yogi Berra teve uma carreira vitoriosa como catcher, atuando toda a sua em Nova Iorque (Yankees, de 1946 a 1963, e Mets, 1965). Apesar de sua passagem pelo Queens, foi no Bronx que Yogi Berra se consagrou como atleta, conquistando dez World Series, em 14 disputadas, dois recordes que mantém até hoje. Além disso, foi o catcher do único perfect game (partida em que nenhum adversário consegue chegar em bases) da história das WS, recebendo os arremessos de Don Larsen.

A exemplo de muitos, acho que devia ser fácil ganhar tantos títulos em uma equipe que contou com alguns dos melhores jogadores de todos os tempos, mas Yogi foi eleito três vezes como o MVP (jogador mais valioso) da Liga Americana, mesmo atuando com Joe DiMaggio, Phill Rizzuto e Mickey Mantle, entre outros.

Em 1964, depois de anunciar sua aposentadoria como jogador, foi contratado como manager (técnico-principal) dos Yankees, conseguindo conquistar a Liga Americana, mas perdendo a WS para o St. Louis Cardinals, por 4 a 3. A derrota, aliás, custou o emprego de Yogi Berra, que, mesmo depois de um histórico vitorioso pelo clube, não foi poupado pelo proprietário do time.

A partir de 1965, nos Mets, apesar do pouco tempo como atleta do clube, viveu uma situação inusitada, assumindo a função de jogador-treinador (como, recentemente, fez o atacante Romário, do Vasco). Berra atuou em somente quatro partidas como catcher pelos Mets, mas teve uma longa e vitoriosa carreira como treinador no Shea Stadium, liderando o time em uma conquista de World Series e uma de Liga Nacional.

De volta ao Yankee Stadium como treinador, conquistou mais duas WS e dois títulos da Liga Americana, entre 1976 e 1985. No ano seguinte, assumiu o cargo de treinador do Houston Astros, onde ficou até 1989.

***

Como são muitas, seguem as 15 melhores pérolas de Yogi Berra - ou a ele atribuídas - na minha opinião:

“Sempre vá ao funeral das pessoas, senão elas não virão ao seu.”
“Como você pode pensar e rebater ao mesmo tempo?”
“O (Mickey) Mantle só consegue rebater com as duas mãos porque é anfíbio.”
“Se as pessoas não quiserem vir ao estádio, ninguém vai pará-los!”
“Eu acho a Little League (principal projeto de beisebol infantil do mundo) maravilhosa. Ela mantém as crianças fora de casa.”
“O beisebol é 90% mental. A outra metade é física.”
“Parabéns! Eu sabia que esse recorde permaneceria até que ele fosse quebrado.”
“Nós cometemos um número muito grande de enganos errados.”
“Um sujeito que não consegue diferenciar o som de uma bola batendo na madeira e de uma batendo no concreto só pode ser cego.”
“Metade das mentiras que dizem sobre mim não são verdadeiras.”
“Você precisa ter cuidado quando não souber para onde está indo, pois pode não chegar lá.”
“Você pode observar muito somente olhando.”
“O futuro não é mais como costumava ser.”
“Na teoria, não existe diferença entre teoria e prática, mas na prática tem.”
“Eu gostaria de ter uma resposta para isso, porque estou cansado de tanto responder essa pergunta.”

***

Um agradecimento ao colega Bruno Giacobbo, da Rádio Bandeirantes (torcedor fanático do Boston Red Sox e leitor assíduo do Por Esporte), que me contou que Yogi Berra foi a fonte de inspiração dos criadores de Zé Colméia, o Yogi Bear.

Fernando Andrade passou de fã a companheiro de transmissões de Ivan Zimmerman. Jornalista, trabalhou nas rádios Tupi, Nativa, Jovem Pan e Paradiso. É jogador, treinador e presidente da Federação Carioca de Beisebol e Softbol, e escreve sobre o esporte às quartas-feiras.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O sonhado 19-0

Virada sobre os Colts foi belo passo, mas temporada perfeita está longe (foto: NFL)

Por Vitor Sérgio Rodrigues

Os Estados Unidos pararam na tarde do último domingo para ver o Perfect Bowl, nome dado pela imprensa ao confronto entre o atual campeão da Liga Profissional de Futebol Americano (NFL), o Indianapolis Colts, e o New England Patriots. O confronto foi chamado assim porque os dois times, que nutrem a maior rivalidade recente da NFL, com partidas sensacionais e eliminações dramáticas nos playoffs, chegaram à nona rodada invictos, algo inédito na história do campeonato.

O jogo foi excepcional. E vencido pelo Patriots em uma arrancada épica, já que o time perdia por 20 a 10 faltando menos de oito minutos para o fim. Virou com dois touchdowns derradeiros, no melhor estilo Tom Brady (que mesmo que não fosse o quarterback fora de série que é, teria o meu respeito apenas por diariamente dormir ao lado da Gisele Bündchen).

Assim que acabou, motivou o assunto do momento na Terra do Tio Sam: o Patriots tem condição de fazer a campanha perfeita nesta temporada, 19 vitórias e nenhuma derrota, até o título do Super Bowl em fevereiro? Isso porque enfrentar o fortíssimo Colts, na casa do adversário, era o obstáculo mais difícil na tabela do Patriots na temporada regular, que agora tem mais sete jogos. Na história da liga, isso só aconteceu uma vez, com o Miami Dolphins, em 1972.

Apesar da qualidade desse time, com a chegada de três receivers de qualidade, como Randy Moss, Donte’ Stallworth e Wes Walker, de ter novamente uma defesa sufocante e do fator Tom “He can do” Brady, acho difícil o New England alcançar o sonhado 19-0. Vou enumerar os motivos, em ordem de importância:

1 – Jogadores poupados – Quando o New England assegurar o mando de campo nos playoffs, é certo que o técnico Bill Belichick vai poupar muitos jogadores. O motivo é simples: para que arriscar lesões visando aos playoffs? Vale lembrar que se o Patriots terminar a temporada regular com 16-0 e não ganhar os três jogos seguintes, sendo campeão do Super Bowl, ninguém vai dar bola para o 16-0.

2 – Time visado – Depois do escândalo do começo da temporada, em que Belichick foi flagrado filmando o banco dos adversários (algo proibido na NFL) e da forma como o Patriots começou a temporada humilhando seus rivais em campo (nos primeiro nove jogos, a margem das vitórias foi de 23 pontos), todo mundo vai entrar em campo focado em vencer o Patriots. Hoje, a equipe é a mais odiada da NFL, algo semelhante ao que acontece com o New York Yankees no beisebol.

3 – Duas pedreiras fora de casa – A tabela do New England no geral é fácil. Tem quatro jogos tranqüilos de serem vencidos, contra Philadelphia Eagles, Miami Dolphis, New York Jets e Buffalo Bills, só o último fora de casa. Mas o time vai enfrentar também as duas melhores defesas da NFL: o Pittsburgh Steleers, em casa, e o Baltimore Ravens, fora de casa. Nesses dois jogos, além do sufoco para atacar, o Patriots ainda corre grave risco de perder alguém por lesão. A última partida da temporada, contra o New York Giants, fora, pode ser muito difícil se o rival depender do resultado para ir aos playoffs.

4 – Possíveis lesões – É praticamente impossível um time passar a temporada inteira sem uma lesão séria em um jogador importante. E o Patriots está ileso até agora. Se perder algum dos receivers, e/ou, principalmente, qualquer das estrelas da defesa, tudo fica complicado.

5 – Fraco jogo corrido – Não vai ser em todas as partidas que Tom Brady vai resolver sozinho pelo alto (principalmente contra as pedreiras citadas no item 3). E, quando isso acontecer, o Patriots está mal no jogo corrido. Kevin Faulk e principalmente Laurence Maroney estão deixando a desejar correndo com a bola. E a situação fica ainda mais complicada após a lesão de Sammy Morris.

Após três títulos do Super Bowl e a virada de domingo, aprendi a não duvidar de Tom Brady. Mas acho que, por isso tudo, os hoje velhinhos do time do Miami Dolphins de 1972, vão se reunir mais uma vez para comemorar, como fazem anualmente, uma semana depois que o último time invicto cai na NFL.

Vitor Sérgio Rodrigues sabe que ninguém é perfeito. Exceto a Gisele Bündchen. Trabalhou no Jornal dos Sports, Diário Lance, por onde cobriu Atenas 2004, e Globoesporte.com. Hoje, é comentarista da TV Esporte Interativo. Escreve no Por Esporte às terças-feiras.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Saber perder, saber ganhar

Diretoria do Tricolor paulista não tem o direito de tripudiar (foto: divulgação)

Por Alexandre Mortari

Aquela conversa sobre a importância de saber perder é bastante comum. Não com a mesma freqüência, ouve-se falar que também é importante saber vencer. Há ocasiões que nos trazem essa segunda opção à mente.

O São Paulo precisa saber vencer e ser justo. E não tripudiar sobre um antigo parceiro. Pois, para quem não se lembra, e se eu me lembro bem, foi o time tricolor, ao lado do Flamengo, os dois principais motores da criação do Clube dos 13.

Na época, os são-paulinos comandados por Carlos Miguel Aidar, e os rubro-negros por Márcio Braga. Unidos, os clubes peitaram a CBF e criaram a Copa União, sendo que a primeira divisão do tal torneio foi vencida pelo Flamengo (infelizmente o duelo decisivo Flamengo x São Paulo, os dois melhores times da época, foi abortado).

Então, se apoiou a Copa União, foi um dos principais responsáveis por ela, e certamente teria tomado a mesma atitude que a do Flamengo, em não enfrentar Sport e Guarani, como pode agora alguns dirigentes são-paulinos tirarem um barato com os rubro-negros?

Não digo que a diretoria do São Paulo deva recusar o troféu dado pela CBF, afinal os dirigentes devem uma resposta aos torcedores do time tricolor. Mas a questão é apenas não ficar a todo o momento querendo tripudiar dizendo-se ser o único pentacampeão nacional. Porque, inclusive, só alimenta uma discussão chata demais.

Em campo

Falando especificamente sobre futebol, aquele jogado lá dentro de campo, o São Paulo sobrou neste campeonato. E, quando deu uma leve fraquejada, não teve quem o assustasse. Lembro das quatro rodadas que antecederam São Paulo x Cruzeiro.

Com partidas difíceis, os são-paulinos somaram apenas quatro pontos contra Inter, Flamengo, Corinthians e Fluminense. Mas os cruzeirenses bobearam e, mesmo jogando três vezes em casa, somaram apenas dois pontos contra Figueirense, Santos, Goiás e Náutico. Resultado, chegaram ao confronto no Morumbi com 11 pontos de desvantagem para os são-paulinos.

Se não houver problema como os dos amortecedores do Morumbi em 1994, ano que abriu uma má fase tricolor, ou então os adversários não se organizarem melhor, o futuro próximo ainda terá muitos títulos para a torcida são-paulina.

Alexandre Mortari é veterano nos estádios da terra da garoa. Trabalhou na Rádio Globo, no UOL e na agência MBPress. Hoje, é web editor do MSN. Escreve sobre futebol paulista às sextas-feiras (às vezes, atrasa).

Uma liderança sob risco (parte 2)

Rubens Barrichello assumiu legado sem ter cacife para bancar (foto: autosport)

Por Otto Jenkel

Ao fim da temporada de 2007, o Brasil atingiu um incômodo jejum de 16 anos sem um título na Fórmula 1. Quando Ayrton Senna alcançou seu terceiro Mundial, em 1991, o país estava soberano na principal categoria do automobilismo mundial. Era o oitavo título contra cinco da Argentina, Escócia e Inglaterra.

Mesmo ainda líder, o Brasil tem agora a Inglaterra e a Alemanha no "vácuo" com sete títulos. Com um detalhe. O país germânico não tinha nenhum título até 1994, ano em que começou a Era Schumacher, que só terminaria em 2004. Em um intervalo de 11 anos, somente em quatro o alemão não venceu. Um assombro.

O Brasil também assombrou o mundo quando conquistou oito títulos em 20 anos, entre 1972 e 1991. Mas, ao contrário da Era Alemã de um só piloto, o país produziu três gênios, que somaram juntos um número de títulos ainda inalcançável. Nosso primeiro fora-de-série, Emerson Fittipaldi, foi quem ensinou o caminho das pedras para os demais pilotos brasileiros que chegariam à F1 a partir daí. Até 1970, ano em que ele estreou na F1, a história do Brasil na categoria praticamente não existia.

A categoria máxima estava no seu 21º ano de existência e apenas quatro pilotos brasileiros haviam passado por ela: Chico Landi, Gino Bianco, Hernando da Silva Ramos e Fritz D'Orey. Todos nos anos 50. Na década seguinte, nenhum. O melhor resultado tinha sido um quarto lugar obtido por Landi no GP da Argentina de 1956, com um Maserati. Landi era, aliás, o maior piloto brasileiro até então, mas suas glórias tinham ocorrido na década de 40, quando a F1 ainda não existia.

Para o Brasil, a F1 começou a existir de verdade quando Emerson Fittipaldi alinhou seu Lotus Ford para o GP da Inglaterra de 1970. O "Rato" tinha sido campeão da F3 inglesa em 1969 e fez escola. A partir daí, passou a ser quase obrigação das promessas brasileiras no automobilismo desembarcarem na Inglaterra para ser campeões na F3 inglesa, e ingressarem depois na F1.

A saga de Emerson foi fulminante. Estreou na Inglaterra, chegou em quarto na sua segunda corrida na Alemanha, e venceu na sua quarta, nos EUA. Esta vitória permitiu que seu companheiro de equipe na Lotus, o austríaco Jochen Rindt, fosse o campeão póstumo, já que ele havia morrido um mês antes, nos treinos para o GP da Itália, em Monza. Em poucos meses, Emerson havia vivido todo tipo de emoções na F1. E era apenas o começo.

Em 1971, a Lotus teve um ano ruim, sem vitórias. No ano seguinte, porém, Emerson daria ao Brasil seu primeiro título na F1. Na sequência, um vice-campeonato em 1973, o bi mundial em 1974 e mais um vice em 1975, esses dois últimos com um McLaren Ford. Depois começou o calvário com a sua mudança para a Copersucar, em 1976. Foram cinco sofridos anos, nos quais a melhor colocação foi um 2º lugar no GP do Brasil em 1978, no Rio.

Mas Emerson havia implantado os alicerces que serviriam de base para a chegada dos demais brasileiros na F1. Na década de 70, uma série de pilotos brasileiros estrearam na categoria: José Carlos Pace, Wilson Fittipaldi Jr., Ingo Hoffman, Alex Dias Ribeiro e Nélson Piquet. Môco, como Pace era conhecido, parecia ser o substituto de Emerson. Rápido, corajoso ao extremo, muitos temiam que ele não sobrevivesse ao risco que era dirigir um F1 naquela época. À F1 ele sobreviveu, mas não a um acidente de avião em 1977. Uma única vitória, no GP Brasil de 1975, não fez jus ao talento de Môco.

A morte de Pace abriu, de certa forma, uma vaga na Brabham para Nélson Piquet em 1978. Bernie Ecclestone, o chefe de equipe, viu nele o talento de um futuro campeão, quando Nélson venceu a F3 inglesa neste mesmo ano. O contratou por três temporadas. Se Môco estivesse vivo, Bernie dificilmente teria dois pilotos brasileiros na equipe. Piquet, assim como Emerson, teve uma ascensão meteórica. Foi vice em 1980, campeão em 1981 e 1983. Depois se mudou para a Williams, sendo tri em 1987.

Piquet trouxe junto uma nova geração de pilotos brasileiros na década de 80: Chico Serra, Raul Boesel, Roberto Moreno, Ayrton Senna e Maurício Gugelmin. Senna trilhou o mesmo caminho de Emerson e Nélson: campeão da F3 inglesa e rumo às glórias na F1. O Brasil vivia sua melhor fase. Depois do tri de Piquet, viriam mais três títulos de Senna em quatro anos. Depois da morte deste no GP de San Marino de 1994, o país se sentiu órfão, e até hoje não se recuperou, não tendo, na verdade, um piloto capaz de substituir um de nossos campeões.

Desde a década de 90 até hoje, foram várias as tentativas da busca do novo "Messias". Um total de 11 pilotos brasileiros chegaram à F1: Christian Fittipaldi, Rubens Barrichello, Pedro Paulo Diniz, Ricardo Rosset, Tarso Marques, Ricardo Zonta, Luciano Burti, Enrique Bernoldi, Felipe Massa, Cristiano da Matta e Antônio Pizzonia. Os cinco últimos nesse novo milênio.

A quantidade de pilotos foi a mesma da década de 70 e 80. A qualidade não. Alguns acreditam que a morte abrupta de Senna não permitiu que houvesse uma transferência natural da saída do antigo para o novo campeão como foi o caso de Emerson para Piquet, e deste para Senna. Tese discutível a meu ver. O que faltou foi um piloto de tamanho quilate, só isso.

O piloto mais talentoso da geração dos anos 90, Rubens Barrichello, resolveu assumir esse legado sem ter capacidade para tal. Suas reclamações eternas de que era prejudicado pela Ferrari chegavam a ser cômicas. Até hoje, ele parece acreditar que era melhor que Schumacher. O pior é que tinha eco em boa parte da imprensa brasileira, que lhe dava razão, sabe-se lá com que interesses. Mas foi tudo em vão. "Frustrado", "chorão", são palavras que estão definitivamente vinculadas a sua imagem para o público brasileiro. Não há como mudar.

E Felipe Massa? Será ele o novo "messias"? Em dois anos de Ferrari, já fez mais do que Barrichello no mesmo período. Foram cinco vitórias contra apenas uma de Rubens. Massa não é de reclamar da equipe e nem busca desculpas pelos seus erros. Parecia que seria batido facilmente por seu companheiro, Kimi Raikkonen, no início do ano. Mas surpreendeu. Até a metade da temporada foi superior. A partir de julho, a situação se complicou quando Kimi passou a se habituar ao estilo de se trabalhar na Ferrari, completamente diferente da McLaren, onde esteve por cinco anos.

Massa consegue ser tão ou mais rápido que Raikkonen nas classificações. O problema é o ritmo de corrida, quando Kimi se mostra superior. É o que diferencia na F1 hoje. Ser rápido o tempo todo e não em escassas voltas. Schumacher era assim. Alonso e Raikkonen são assim. Se o finlandês conseguiu ser campeão na Ferrari em seu ano de estréia, a tendência é ele ser ainda mais forte em 2008. A tarefa de Massa não será fácil.

Mas não impossível. Depois de tudo que aconteceu esse ano, essa palavra deveria ser abolida do dicionário da F1. Massa terá que se impor desde o início do ano para mostrar dentro de sua equipe que pode ser tão bom quanto Raikkonen. Caso não consiga, correrá o risco de ser um bom segundo piloto, como era Barrichello. E o Brasil continuará buscando o seu novo “messias".

Otto Jenkel trabalhou no FOCA TV, cobrindo o GP do Brasil, quando a prova era disputada no Rio. Acompanha Fórmula 1 desde meados da década de 70, "quando a F1 era perigosa e o sexo seguro, hoje inverteu". Escreve sobre Fórmula 1 às segundas-feiras.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Versatilidade x Qualidade

Versatilidade: Michael Phelps é jóia raríssima na natação (foto: divulgação)

Por Lydia Gismondi

A nova geração da natação brasileira tem mostrado que é bastante talentosa. E, ao que tudo indica, nos próximos anos não teremos apenas um ou dois destaques, teremos vários. Uma das características da atual seleção brasileira é a versatilidade, uma tendência que cresce depois do surgimento de Michael Phelps. Refiro-me ao número cada vez maior de atletas brasileiros se destacando em várias modalidades. Mas ainda acho que essa "euforia" precisa ser repensada. Nem sempre quantidade é sinal de qualidade.

Thiago Pereira é o primeiro grande exemplo disto. Ele se destaca em todas as modalidades. No Pan, por exemplo, foi ouro nas seguintes provas: 200m e 400m medley, 200m costas, 200m peito e revezamentos 4x200m livre e 4x100m livre. Borboleta foi a única modalidade que ele não disputou.

Lucas Salatta e Gabriel Mangabeira ainda não tiveram o mesmo destaque que Thiago Pereira, mas também são bons exemplos da versatilidade dos atuais atletas brasileiros. Na última etapa da Copa do Mundo, Salatta participou de seis provas: 200m livre, 200m costas, 200m borboleta, 100m, 200m e 400m medley. Lucas conquistou a medalha de prata nos 400m medley e bronze nos 200m costas. Mangabeira até tem sua preferência, borboleta, mas também costuma competir nos nados medley, costas e livre. Na etapa de Durban da Copa do Mundo deste ano, o atleta foi ouro nos 100m borboleta.

Thiago, Salatta e Mangabeira são apenas três nadadores de uma nova geração que parece ser muito mais completa que a de alguns anos atrás. Mas agora entramos em uma nova questão: será que ter mais opções de provas para disputar significa automaticamente ter mais chances de medalhas? Precisamos ter muita calma quanto a isso, já que, se formos buscar exemplos do passado, vamos ver que nem sempre quantidade é sinal de qualidade.

Gustavo Borges nunca se destacou mundialmente em outras modalidades a não ser a livre. Foi apenas com esse nado que o brasileiro foi quatro vezes medalhista olímpico. Fernando Scherer, o Xuxa, foi um nadador um pouco mais versátil que o Gustavo, já que o brasileiro conquistou bons resultados em duas modalidades (livre e borboleta). Mesmo assim, apenas no nado livre garantiu duas medalhas de bronze olímpicas.

Tenho minhas dúvidas sobre as vantagens de ser um nadador versátil. Imagino que treinar para várias modalidades acaba dificultando uma grande evolução em pelo menos uma delas. Parece que um nadador que compete em várias modalidades terá, geralmente, resultados bons, e não excepcionais, que um especialista em uma única modalidade pode conseguir. A não ser, é claro, casos que ultrapassam os limites humanos… nesses casos, incluo Phelps. Sim, porque ele não dá para servir de base para nenhuma comparação que eu queira fazer aqui.

Nos dias atuais, temos dois bons exemplos dos dois tipos de atletas: Thiago Pereira e César Cielo. Thiago é muito mais completo, só no Pan foram seis ouros. Já Cielo, nada apenas a modalidade livre, assim como Gustavo Borges. É um atleta explosivo e totalmente especializado e concentrado nesta modalidade. No Pan, conquistou três ouros, todos nadando livre. Analisando os tempos dos dois atletas em todas as provas, apenas César Cielo conquistaria uma medalha de ouro no Mundial de Melbourne.Thiago sequer subiria ao pódio em nenhuma das provas que foi ouro no Pan.

Portanto, me preocupo com essa "moda" atual de nadar várias provas diferentes. Afinal, não é todo dia que surge um Phelps por aí...

E você? O que acha? Deixe aqui a sua opinião!

Lydia Gismondi tem mil e uma utilidades. Foi remadora do Botafogo. Trabalhou na assessoria Media Guide, e atualmente é repórter do Globoesporte.com. Escreve sobre esportes aquáticos às quintas-feiras.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Bola (laranja) de cristal

Kobe Bryant, do Lakers, é a aposta do colunista para MVP da temporada (foto: NBA)

Por Marcelo Monteiro

A temporada da NBA começou nesta terça-feira com três duelos entre equipes do Oeste. Sem surpresas. O San Antonio contou com 24 pontos e 13 rebotes de Tim Duncan e mais boas atuações de Tony Parker e Manu Ginóbili para superar o Portland no Texas. Em Los Angeles, o Lakers mostrou o que deve ser sua sina por mais um campeonato: ser um time de um jogador só. Kobe Bryant fez 45 dos 93 pontos da equipe, mas o time amarelo perdeu em casa para o Houston Rockets por dois pontos. E o Utah, atual vice-campeão da Conferência, passou sem dificuldades pelo Golden State Warriors.

Como prometido, seguem as previsões deste humilde colunista para a temporada. Acha que está tudo errado? Que este escriba não sabe rigorosamente nada sobre NBA? A caixinha de comentários está liberada. Faça valer o seu direito de se manifestar.

Conferência Leste

1) Chicago Bulls
2) Detroit Pistons
3) Boston Celtics
4) Miami Heat
5) Cleveland Cavaliers
6) New Jersey Nets
7) Orlando Magic
8) Atlanta Hawks

Final: Chicago x Detroit
Campeão: Detroit

Conferência Oeste

1) Phoenix Suns
2) San Antonio Spurs
3) Dallas Mavericks
4) Houston Rockets
5) Denver Nuggets
6) Utah Jazz
7) Los Angeles Lakers
8) Memphis Grizzlies

Final: Phoenix x San Antonio
Campeão: Phoenix

Campeão da NBA: Phoenix Suns
MVP: Kobe Bryant (Los Angeles)
Rookie: Al Horford (Atlanta)
Melhor sexto homem: Manu Ginóbili (San Antonio)
Melhor treinador: Scott Skiles (Chicago)

Marcelo Monteiro mal chega a 1,70m, mas é mortal nas bolas de três. Torcedor fanático do Atlanta Hawks, trabalhou por nove anos em sites das Organizações Globo. Hoje, empresta seus conhecimentos à Textual Assessoria. Escreve sobre basquete às quartas-feiras.