quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Ei, Catatau!

Zé Colméia e a fonte de inspiração, uma figura folclórica do beisebol americano

Por Fernando Andrade

Ele é orelhudo, amado por grande parte da população americana, divertido e folclórico, mas, antes que o Bernardo, editor deste site, morra do coração, não estou falando de nenhum personagem de desenhos animados. Na verdade, estou falando de Lawrence Peter Berra, um jogador e, ainda, um personagem que serviu de inspiração para que William Hanna e Joseph Barbera criassem o popular Zé Colméia. Lawrence, quando criança, foi apelidado com o nome com qual se tornaria famoso: Yogi Berra. Daí a influência sobre o personagem dos estúdios Hanna-Barbera, chamado de Yogi Bear na versão original, em inglês.

Parafraseando o baixinho Romário, Yogi, calado, é um poeta. Dono de uma habilidade inquestionável para o beisebol, Berra parecia ter algum problema de conexão entre o cérebro e a boca. Para facilitar o entendimento de alguns, ele seria o Vicente Mateus do beisebol. Autor de algumas das frases mais hilárias do esporte americano, o ex-catcher dos Yankees conseguia se enrolar até na hora de se defender - “Eu realmente não disse tudo que disse!” - afirmou Yogi Berra ao The Sporting News, discutindo as frases que o deixaram ainda mais famoso.

Mesmo quando tentava falar sobre outro assunto, como o cinema, por exemplo, ele costumava soltar suas pérolas: “Steve McQueen deve ter feito esse filme antes de morrer”.

Mas a verdade é que, independente do que tenha falado, ou do que tenham creditado a ele, Yogi Berra teve uma carreira vitoriosa como catcher, atuando toda a sua em Nova Iorque (Yankees, de 1946 a 1963, e Mets, 1965). Apesar de sua passagem pelo Queens, foi no Bronx que Yogi Berra se consagrou como atleta, conquistando dez World Series, em 14 disputadas, dois recordes que mantém até hoje. Além disso, foi o catcher do único perfect game (partida em que nenhum adversário consegue chegar em bases) da história das WS, recebendo os arremessos de Don Larsen.

A exemplo de muitos, acho que devia ser fácil ganhar tantos títulos em uma equipe que contou com alguns dos melhores jogadores de todos os tempos, mas Yogi foi eleito três vezes como o MVP (jogador mais valioso) da Liga Americana, mesmo atuando com Joe DiMaggio, Phill Rizzuto e Mickey Mantle, entre outros.

Em 1964, depois de anunciar sua aposentadoria como jogador, foi contratado como manager (técnico-principal) dos Yankees, conseguindo conquistar a Liga Americana, mas perdendo a WS para o St. Louis Cardinals, por 4 a 3. A derrota, aliás, custou o emprego de Yogi Berra, que, mesmo depois de um histórico vitorioso pelo clube, não foi poupado pelo proprietário do time.

A partir de 1965, nos Mets, apesar do pouco tempo como atleta do clube, viveu uma situação inusitada, assumindo a função de jogador-treinador (como, recentemente, fez o atacante Romário, do Vasco). Berra atuou em somente quatro partidas como catcher pelos Mets, mas teve uma longa e vitoriosa carreira como treinador no Shea Stadium, liderando o time em uma conquista de World Series e uma de Liga Nacional.

De volta ao Yankee Stadium como treinador, conquistou mais duas WS e dois títulos da Liga Americana, entre 1976 e 1985. No ano seguinte, assumiu o cargo de treinador do Houston Astros, onde ficou até 1989.

***

Como são muitas, seguem as 15 melhores pérolas de Yogi Berra - ou a ele atribuídas - na minha opinião:

“Sempre vá ao funeral das pessoas, senão elas não virão ao seu.”
“Como você pode pensar e rebater ao mesmo tempo?”
“O (Mickey) Mantle só consegue rebater com as duas mãos porque é anfíbio.”
“Se as pessoas não quiserem vir ao estádio, ninguém vai pará-los!”
“Eu acho a Little League (principal projeto de beisebol infantil do mundo) maravilhosa. Ela mantém as crianças fora de casa.”
“O beisebol é 90% mental. A outra metade é física.”
“Parabéns! Eu sabia que esse recorde permaneceria até que ele fosse quebrado.”
“Nós cometemos um número muito grande de enganos errados.”
“Um sujeito que não consegue diferenciar o som de uma bola batendo na madeira e de uma batendo no concreto só pode ser cego.”
“Metade das mentiras que dizem sobre mim não são verdadeiras.”
“Você precisa ter cuidado quando não souber para onde está indo, pois pode não chegar lá.”
“Você pode observar muito somente olhando.”
“O futuro não é mais como costumava ser.”
“Na teoria, não existe diferença entre teoria e prática, mas na prática tem.”
“Eu gostaria de ter uma resposta para isso, porque estou cansado de tanto responder essa pergunta.”

***

Um agradecimento ao colega Bruno Giacobbo, da Rádio Bandeirantes (torcedor fanático do Boston Red Sox e leitor assíduo do Por Esporte), que me contou que Yogi Berra foi a fonte de inspiração dos criadores de Zé Colméia, o Yogi Bear.

Fernando Andrade passou de fã a companheiro de transmissões de Ivan Zimmerman. Jornalista, trabalhou nas rádios Tupi, Nativa, Jovem Pan e Paradiso. É jogador, treinador e presidente da Federação Carioca de Beisebol e Softbol, e escreve sobre o esporte às quartas-feiras.

3 comentários:

Bruno disse...

Fernandão,
excelente coluna para variar! E obrigado pela lembrança e pelo abraço no final! Só tô triste com uma coisa: você não comentou o título do meu Boston Red Sox!

RED SOX DOMINI-NATION!

Hehehe!

Abs,
Bruno Giacobbo.

Thiago Khoury disse...

é jogador, treinador, presidente e ator!!

o que seria do beisebol no brasil sem fernando andrade!!

quarta que vem eu volto!!

Ba disse...

uahauhauhauahuahuahu
A.D.O.R.E.I!!!
Muito boa! Só fiquei com ciúmes pq o seu amigo ganhou abraço e eu só fui citada, na outra vez... hahahahah
Esse cara era muito bom... Me lembra as histórias que vc me contava dos bastidores e erros de rádio!
Saudade! Amo voce!
Beijos