quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Pequim sem capitão

Sem Ricardinho, o Brasil ainda não tem um líder de verdade (foto: CBV)

Por Cauê Rademaker

Hoje, acordo e leio na internet que Nalbert descarta sua ida para as Olimpíadas de 2008, em Pequim. O motivo: uma lesão no ombro. Ricardinho, que o substituiu na seleção brasileira como capitão, é outro que, pelo andar da carruagem, dificilmente também estará presente. A pergunta então é a seguinte: vamos “sem capitão” para China?

Sim, porque perdemos dois dos principais líderes da equipe. Nalbert é até uma perda que o time já tinha suprido, pois até mesmo em Atenas 2004 participou longe das suas melhores condições e, depois dos Jogos Olímpicos, foi para a praia e o Brasil, sempre liderado por Ricardinho, continuou sobrando no cenário mundial.

Porém, agora também não temos mais Ricardinho e acho difícil um acerto imediato entre ele e Bernardinho, já que ambos são cabeças duras e nenhum dos dois dará o braço a torcer tão cedo.

A ausência de Ricardinho, a princípio, pode parecer superada, mas não será tão fácil assim sem ele. Embora Giba tenha assumido o posto de capitão e Gustavo também ser um jogador ativo no grupo, nenhum deles tem a postura de Ricardinho.

O levantador é um líder nato. Está certo que é um sujeito difícil de lidar e que a paciência de Bernardinho se esgotou, mas temo, por exemplo, pela próxima participação brasileira na Copa do Mundo do Japão, em novembro.

Será o primeiro grande teste da seleção sem seu líder. Por que, convenhamos, o Pan-Americano e o Sul-Americano recém-conquistados não servem de parâmetro. São dois torneios para lá de chinfrins.

Será diante das grandes potências, e tendo que encarar Rússia, Polônia, Bulgária, entre outras, que veremos como o Brasil se portará sem seu líder e com Marcelinho como titular. O lado positivo é que, se a seleção decepcionar, ainda temos tempo de sobra para acertarmos a relação entre Ricardinho e Bernardinho e o levantador voltar, reassumindo o posto de capitão.

Nem vou citar os detalhes técnicos e o risco de termos Marcelinho e Bruno como opções. Não que sejam maus jogadores, lógico que não são e possuem talento de sobra, mas prefiro deixar as questões técnicas e táticas para uma próxima coluna.

Por hoje, aqui neste espaço, registro apenas o receio pela falta de liderança. Vamos ver, em novembro, como a equipe se portará. Mas, mesmo que vença e convença, acho uma temeridade irmos para Pequim sem um líder nato.

Cauê Rademaker tem a mesma altura do Giba e diz ser mais bonito, mas ainda não foi descoberto por Bernardinho. Trabalhou na Globo.com e na Topsports. Atualmente, é editor-chefe da MBPress. Escreve sobre vôlei às quintas-feiras.

2 comentários:

Anônimo disse...

Cauê,
Discordo de você. Eu acho que o Ricardinho vai estar em Pequim. Você vai ver. Ele e o Bernardo vão acabar fazendo as pazes, provavelmente no início do ano que vem. Os dois são inteligentes e vão perceber que nessa briga ninguém ganha nada.
Abraços,
Daniel Kaz

Zé disse...

Sinceramente, torço para que o Ricardinho não vá. Joga muito, não há dúvidas, mas a personalidade dele é irritante demais. Fora que o Brasil já ganha tudo há anos e anos... Tá perdendo a graça. Prefiro que o Bernardinho (q tb é mala, mas é dez vezes mais importante que o Ricardinho - e menos prepotente) arrisque ganhar sem a marra do Ricardinho. Dará uma emoção extra e servirá como exemplo para todos os jogadores que se julgam mais importantes que o time. Acho tb que o Giba assume com facilidade a liderança do time, que ele já dividia com o Ricardinho, a meu ver.
Quanto ao Nalbert, como você mesmo disse, é craque, mas já foi bem substituído.
Abraço, Cauê.