segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Donos do mundo

Ele ainda não chegou lá (foto: Ronaldinhogaucho.com)

Por Thiago Dias

Em 1986, Maradona olhou para um lado, olhou para o outro e falou: “Deixem comigo”. Em 1994, foi a vez de Romário: “Essa Copa é minha”. Quatro anos se passaram, Zidane botou a bola embaixo do braço e levou a taça para casa. Mais quatro, e Ronaldo, que fracassara na França, remendou o joelho, fez o corte “Cascão”, bateu no peito e disse: “Quem manda aqui sou eu”.

Em junho do ano passado, todos esperavam a mesma coisa de Ronaldinho Gaúcho. Melhor jogador do mundo, campeão da Europa, ídolo de um dos maiores clubes do planeta, dono do “joga bonito”. Mas, nas entrevistas antes da Copa, o camisa 10 da seleção nunca admitiu que era o cara. “Ninguém ganha nada sozinho, com a ajuda dos meus companheiros podemos fazer bonito”, era comum ouvi-lo dizer.

Havia alguma coisa errada ali.

É claro que ninguém ganha sozinho no futebol, afinal há sempre um goleiro para pegar o pênalti, um zagueiro para salvar em cima da linha, um lateral para cruzar na cabeça, um volante para roubar a bola e dar origem ao contra-ataque mortal.

Mas, os grandes times sempre tiveram aquele cara que todo mundo olhava procurando em campo. Então, nomes como Garrincha, Maradona, Romário, Zidane e Ronaldo entram para a história: ganharam uma Copa sozinhos.

Ronaldinho é diferente, basta ver o que aconteceu no último domingo. Mais uma vez, arrebentou com a camisa azul-grená e comandou o Barcelona na vitória por 3 a 1 sobre o Athletic Bilbao, com dois gols. Foi eleito duas vezes o melhor do mundo porque jogou bem pelo Barça, e não pela seleção.

O ano de 2006 tinha tudo para ser dele. Começou detonando, “jogando bonito”, aparecia em comerciais por toda a parte. Faturou a Liga dos Campeões e era barbada: vai ganhar a Copa e ser eleito pela terceira vez o melhor para a Fifa.

Mas a Copa não é Liga dos Campeões. Nem Espanhol. Nem Campeonato Gaúcho. É Copa. E para vencê-la, tem que pegar a bola, botar embaixo do braço, bater no peito, olhar para um lado e para o outro, mostrar quem manda e dizer: “É minha”.

No Barça, ele é o dono da bola. Mas falta alguma coisa para ser o dono do mundo.

Thiago Dias costuma ser interrompido no cinema por ligações de jornalistas gringos. Trabalhou no Lance. Hoje, é repórter do Globoesporte.com. Cobriu o título mundial do Inter e prepara um livro sobre o assunto. Escreve sobre futebol internacional às segundas-feiras.

3 comentários:

Anônimo disse...

Concordo em gênero, número e grau.

Zé disse...

Só discordo no seguinte, Thiago: ganhar a Copa sozinho e chamar a responsabilidade na hora H s�o coisas bem diferentes. Ronaldo e Zidane brilharam nas finais, o Ronaldo durante a Copa toda at� mas estiveram longe da fa�anha de Garrincha, Rom�rio e, principalmente, Maradona. Estes tr�s sim brilharam praticamente sozinhos em 62, 86 e 94.
O Zidane arrebentou na reta final, mas chegou a ficar fora dois ou tr�s jogos depois de ser expulso na segunda rodada. E o Ronaldo brilhou (dois gols em final de Copa depois do fiasco na decis�o de 98 foi A volta por cima), mas o melhor de 2002, para mim, foi o Rivaldo.
� isso... s� cornetando. At� pq concordo com o argumento do teu texto. Ronaldinho ainda deve � amarelinha.
Parab�ns pelo blog.

Marcello disse...

Dou a minha cara a soco, mas Lulinha jamais será craque. Neymar, só falam, falam, falam, e?... Bem, deixa para lá. Ronaldinho Gaúcho? Esse só joga pelo Barcelona, e não tiro a razão dele. Afinal, é o Barça quem paga o seu salário. Com a amarelinha está devendo, e muito. Deixando os argumentos de esquema tático e companheiros de equipe de lado. Craque, quando é craque, joga em qualquer fomação, do 5-4-1 ao 4-2-4, e com um time recheado de "cabeçudos".