domingo, 9 de setembro de 2007

A arte de não passar o bastão

Djokovic e Federer fazendo história no Arthur Ashe Stadium (foto: usopen.org)

Por Bernardo Calil

Qual seria a diferença de nível entre Pete Sampras, Roger Federer, Roy Emerson, Rod Laver, Björn Borg e Bill Tilden, os únicos homens na história a ganhar, pelo menos, dez torneios de Grand Slam?

Acredito não ser possível afirmar com todas as letras quem é o maior tenista de todos os tempos. Ainda. Não sei se um dia será. São tantos os critérios para definí-lo que acaba não havendo nenhum. Se alguém vier a conseguir uma fórmula para alcançar este ranking, porém, certamente levará em conta o grau de domínio que o tenista teve diante dos maiores adversários não só de sua geração, mas da geração anterior e da subseqüente.

Neste sentido – e em tantos outros -, Roger Federer, cujo real “ranking” na história do esporte só será homologado após o fim de sua carreira, é um fortíssimo candidato.

A vitória sobre Novak Djokovic na final do US Open, seu 12° título de Grand Slam, começa a dar indícios de que Federer, ao contrário de Sampras, por exemplo, domina as batalhas contra a geração seguinte à sua. Senão vejamos.

Sampras encerrou sua carreira em 2002, com 31 anos. Em termos de resultados, Federer, Roddick, Hewitt, Guga e Safin são os cinco maiores tenistas da geração seguinte (colocando uma média de cinco anos entre gerações). Sampras só leva vantagem no total de confrontos contra Guga, e mesmo assim por duas vitórias a um.

Federer tem 26 anos. Pelo seu estilo de jogo e de vida, pode atuar, no mínimo, mais seis anos tranqüilamente. É tempo suficiente para que muito possa acontecer. Os números até hoje, entretanto, são assustadores.

Nadal, Djokovic, Berdych, Gasquet e Baghdatis seriam os cinco jogadores, com idades entre 20 e 22 anos, mais capacitados a deslanchar no cenário mundial, na opinião deste blogueiro. Pois Federer só toma conhecimento de Nadal, que venceu oito e perdeu cinco contra o suíço. Os outros só venceram uma vez cada um, no máximo. Gasquet jogou sete; Djokovic jogou seis; Berdych jogou cinco. Baghdatis jogou cinco vezes e perdeu todas.

Federer não dá sinais de que passará o bastão, ao contrário de Sampras, que o fez contra o próprio Federer, nas oitavas de Wimbledon 2001.

Posto isso, há que se lembrar que ambos levam vantagem nos confrontos com os maiores de suas gerações e com os maiores de suas gerações anteriores. O imortal Agassi, por exemplo, foi freguês dos dois.

Nos números frios, Sampras conquistou 14 Grand Slams, contra 12 até agora. Tem 64 títulos na carreira, contra 51 até agora.

Quer saber?

Sou mais Federer.

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Djokovic não é número 3 do mundo à toa, e já mostrou que pode brigar de igual para igual com os dois mitos lá em cima. Tem apenas 20 anos. Encurtou o braço no primeiro set, quando teve cinco set points. Compreensível: era sua primeira final de Grand Slam. No segundo set, perdeu dois set points, mas por lances de jogo, que acontecem com quem joga com coragem, de igual para igual. Não merecia perder por 3 sets a 0, mas, do outro lado da quadra, estava Roger Federer. Ossos do ofício. Djokovic está pronto para ser um dos grandes.

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Neste domingo, o clube Paineiras do Morumby (SP) sagrou-se campeão brasileiro interclubes, ao derrotar o Minas Tênis Clube, do número 1 do país, Flávio Saretta. O cidadão, aliás, conseguiu perder para o argentino do Paineiras, Brian Dabul (quem?), por 2 sets a 0. Parabéns ao tênis brasileiro.

Bernardo Calil aprendeu a gostar de tênis pela voz de Rui Viotti na extinta Rede Manchete. Trabalhou como jornalista no UOL, no Globoesporte.com e na Globosat. Hoje, milita em outros fronts. Escreve sobre tênis aos domingos.

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