terça-feira, 18 de setembro de 2007

A discutível "posição maldita"

Bruno entregou um gol, mas salvou o Fla da derrota (foto: globoesporte.com)

Por Emiliano Tolivia

No Brasil, só quem tem um goleiro de verdade, confiável, é o São Paulo. Rogério Ceni é um craque da posição, entende do riscado. Alguns poucos clubes têm bons jogadores com a camisa 1. A maioria, porém, possui guarda-metas que oscilam do milagre ao frango em uma mesma jogada. Aqui, vamos ficar apenas com os do futebol carioca.

Os goleiros não têm podido reclamar tanto daquela velha história de que pegam todas o jogo inteiro e são crucificados por um único erro. Tenho visto exatamente o contrário. Tentam entregar durante os 90 minutos, e uma intervenção aos 46 do segundo tempo os consagra.

Exemplo disso é o estreante Roger, na vitória do Botafogo sobre o Corinthians (1 a 0). Nervoso, o eterno reserva, que um dia se julgou perfeito, errou quase todas as reposições e soltou duas bolas para o meio da área. Houvesse no Timão alguém melhor do que o Finazzi (por favor, leiam a frase da semana, logo abaixo. Muito divertida) e era gol na certa. No fim, garantiu o empate com um milagre. Nos dias seguintes, vimos estampado nos jornais: Agora tem goleiro! Sim, tem, se comparado a Júlio César e Max. Pródigo em camisas 7, desde Manga o Alvinegro pena com a 1. Ah, não? Gabriel, Carlão, William Bacana, Vágner, e por aí vai.

Como sói acontecer no Flamengo, Bruno ganhou em pouco tempo status de “tem que ser o goleiro da seleção!”. Mais um pouco e se ouviria “Bruno é melhor que o Yashiiiiin”. O tempo mostrou que, apesar de ter talento, o jogador é muito instável. Um Júlio César das antigas, mas piorado (Diga-se, JC é hoje um goleiro com categoria para envergar a amarelinha. A 12). Salvou o Rubro-Negro no empate (1 a 1) do último domingo contra o Vasco. Não sem antes falhar feio no primeiro gol.

No Fluminense, Fernando Henrique é o segundo goleiro menos vazado do Brasileirão, mas não se enganem. Os grandes responsáveis são Thiago Silva, Luiz Alberto e Roger. FH tem um reflexo apurado em bolas que vão em seu campo de ação e só. Seu pior defeito é não conhecer a posição. Está sempre mal colocado, não se adianta com o ataque do time, vive colado na trave. Até evoluiu, mas não o suficiente para acabar com a maldição que atormenta as Laranjeiras desde Paulo Vitor. Diego, que veio como solução, se tornou um caríssimo estorvo. Ricardo Berna, o menos badalado, não é a solução, mas deve ser o único no país barrado sem sofrer um frango sequer.

Já o Vasco vinha de uma boa safra, com Acácio, Carlos Germano, Hélton e Fábio (antes da gripe aviária). Penou até com um goleiro de praia amigo do Romário, quase se acertou com o inconsistente Cássio e agora tem Sílvio Luiz. Bom porte, mas, assim como Bruno, salva um lance com a mesma freqüência que entrega o próximo. E o que solta de bola... É bom e só.

Com Marcos fora de ação, vejo somente Diego Cavalieri com pinta de futuro goleiro de seleção. Craque? No Brasil, só o Rogério Ceni.

***

Não me interessam os resultados, embora neste momento eles sejam bastante necessários. O Flamengo não pode ter um meio-campo formado por Rômulo, Jaílton, Cristian e Toró. Ok, falta o Ibson (Roger não é desfalque). Mesmo assim. Nem o Fla, nem qualquer outro clube (ou torcedor) carioca merece isso.

Repito desde o início que o Fla não cai para a Série B. Mas já ouvi também que Atlético-PR, Corinthians, Atlético-MG e até Náutico não serão rebaixados. No fim das contas, alguém tem que descender. E a zona está logo ali, com toda essa turma fugindo dela. É bom abrir o olho.

***

Se estou no Maracanã, ouço os tricolores gritarem o nome de Renato Gaúcho. Se entro na internet, só vejo críticas ao "estagiário de treinador". A torcida do Fluminense anda dividida. A recente boa seqüência vem pendendo a balança para o lado do técnico. Uma coisa é inegável: ele tem estrela e o Flu ainda vai subir mais.

Contra o América (RN), em 45 minutos, Gabriel voltou a mostrar parte do repertório que só conseguiu apresentar, durante uma série de jogos seguidos em sua carreira, no próprio Tricolor, em 2005. Ao que parece, o Flu é seu lugar. E, ao que tudo indica também, Acosta está a caminho. Um centroavante rompedor interessante, mas que terá que provar que não sofre da síndrome de Somália. Quando está no time dos outros, é gol em todo "Fantástico". Quando se transfere para o seu, é só dancinha.

Frase da semana:

"Melhor do que o Finazzi na área, só mesmo o Romário" - Fábio "pegadinha do Malandro" Braz, recém-transferido do Vasco para o Corinthians, e que levou um drible humilhante de Dodô no jogo contra o Botafogo à la Baixinho em Amaral.

Seleção carioca da rodada:

Bruno, Gabriel, Juninho, Roger e Junior Cesar; Leandro Guerreiro, Perdigão, Thiago Neves e Conca; Dodô e Leandro Amaral
Técnico: Cuca

Emiliano Tolivia é melhor que o Eto'o, melhor que o Henry, mas respeita o Pelé. Passou pelo Lance, assessoria de vôlei de praia da CBV e atualmente é subeditor do Globoesporte.com, pelo qual cobriu a Copa 2006. Escreve sobre futebol carioca às terças-feiras.

8 comentários:

Zé disse...

Começou mal, falando bem do Ceni (rs), mas de resto concordo com quase tudo. Só acho que o Bruno falhou sim no gol do Flamengo, mas muito pior foi a zaga que deixou o artilheiro do Vasco cabecear, sem precisar pular, em um escanteio. Mesmo se ficasse no gol, o Bruno dificilmente alcançaria a bola...

Caio disse...

O Júlio César é o 12? E quem é o 1? Dida de novo, não, né? rs

Emiliano Tolivia disse...

Fala, Zé!
Ah, sim, a zaga do Flamengo errou feio. A bola certamente poderia entrar, mas não tenho essa certeza toda. Não sei se pegou tanta pressão assim.

Abraço!

Emiliano Tolivia disse...

Fala, Caio!
O Júlio César pode até ser o titular, mas está longe de ser o titular dos meus sonhos. O Dida, meu preferido, está velho para mais uma Copa. Rogério também. Marcos idem. Fábio não engrenou, Hélton também e Doni é enganação. Eu gosto muito do Cavalieri, mas temos que esperar ele pegar cancha. E não se espante se o Dunga optar pelo Gomes. A 12 do JC é tão somente pela minha preferência.

Abraço!

Anônimo disse...

FH é nome de presidente, não de goleiro! E ele é tão ruim quanto você, teu tricolor frangueiro! rsss.

Emiliano Tolivia disse...

Amigo anônimo,
Se eu tivesse mais 10cm, vc não estaria reclamando de goleiro neste momento!

Abraço!

Anônimo disse...

"Uma coisa é inegável: ele tem estrela e o Flu ainda vai subir mais."
eu acho q Renato tem estrela sim, mas... que é inegável a melhora do time nas últimas partidas, qd ele NÃO estava em campo, ahhh isso é!

e o fh, coitado.. esse não merece q se perca tempo escrevendo sobre ele... alias, vou fazer uma pesquisa para ver em qts materias ele apareceu nos últimos meses! e incrivelmente, so falando bem! ele deve ter uma ótima assessoria!
eu ainda prefiro o Berna...

Emiliano Tolivia disse...

Anônimo,
Eu até pensei nisso e fui pesquisar, mas a boa seqüência de vitórias começou com o 4 a 1 sobre o Inter no Beira-Rio. O Renato estava à beira do campo. Eu concordo que o Renato às vezes atrapalha um pouco com aquele jeito ranheta dele. Principalmente quando o time está perdendo, nervoso. Mas quem treina o time todos os dias é ele, e não o Alexandre Mendes. Logo, no fim das contas, se o time melhora, o mérito é dele mesmo.

Em relação aos goleiros, temos visto muitas matérias do FH também pelo fato de que a defesa está fazendo o nome dele. E concordo, o Berna é o mais confiável dos três

Valeu!