segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Um dia na Suécia

Oliveira (esq) e os brasileiros campeões da Copa da Suécia (foto: arquivo pessoal)

Por Thiago Dias

O dia começa às 11h da manhã para Thiago Oliveira, atacante do Kalmar. Ele é um dos quatro brasileiros que defendem o time sueco, batizado com o nome da cidade. Os treinos são depois do almoço, por isso ele acorda tarde. E com frio: a temperatura por lá anda pelos 3ºC. Aos 26 anos, o jogador revelado pelo São Paulo é rodado e ainda busca reconhecimento. Sou testemunha ocular: eu o conheço desde que me entendo por gente.

Thiago Dois, Pelézinho e Macalé são alguns dos apelidos que ele já teve. O primeiro recebeu por ter chegado ao prédio depois de mim, que passei a ser Thiago Um. Pelézinho foi como o chamaram, várias vezes, em peladas. O que mais pegou, pelo menos entre a galera do edifício, era Macalé, por causa de um atacante que passou pelo Botafogo no início dos anos 90. Ele virou Oliveira mesmo só quando entrou para as divisões de base do Vasco. Fui a muitos jogos do meu amigo nesta época e não exagero ao dizer: foi o maior atacante que eu vi em um campo.

Entre seus 14 e 18 anos, Oliveira deitava e rolava. Cheguei a ver um zagueiro do Botafogo sair de maca do estádio Conselheiro Galvão após levar um drible dele. Depois, foi jogar na base do São Paulo, onde se profissionalizou. Não teve a mesma sorte de Kaká, seu companheiro no título da Copa São Paulo de Juniores em 2000. Sem muito sucesso, passou por Vitória, Al Ahly (Qatar), Portuguesa, Brasiliense e Caxias do Sul até vestir a camisa 33 do Kalmar. “Tenho muita saudade da família, da minha esposa e do meu filho. Isso é o pior de tudo. Mas preciso passar por isso, é um sonho jogar na Europa”, diz.

Essa coluna não é para contar sobre minha amizade com um jogador de futebol. Mas para mostrar como é a vida de um brasileiro que atua no Velho Continente sem holofotes e longe dos salários galácticos, diferentemente da maioria que é exibida no “Expresso da Bola” do SporTV.

O Kalmar é um time modesto da Suécia e que só se firmou na Primeira Divisão depois que passou a contar com muitos brasileiros. Neste ano, com Oliveira, César Santin, Givaldo e Ricardo, conquistou a Copa da Suécia. Givaldo e Ricardo dividem um apartamento de três quartos com meu amigo. A internet é o passatempo preferido, responsável por matar a saudade da família. Lígia, esposa de Oliveira, e Thiago, seu filho de 4 anos, ficaram em São Paulo. Pela webcam, assim como Ronaldinho Gaúcho e o pequeno João, o atacante consegue ver o menino crescendo. “Se não tivesse internet, sei lá como seria minha vida aqui”, afirma.

Após varar a madrugada no laptop, ele só acorda às 11h. Com os dois parceiros, pega o carro, enfrenta o frio (“Esse é o maior problema”) e almoça em um restaurante chinês. “É o que tem arroz e frango mais parecidos com os do Brasil”, explica. O clube contratou ainda um tradutor, Igor, para ajudar na adaptação. O caminho até o clube dura apenas 2 minutos. Depois, começa o treinamento.

“Aqui o técnico faz uma coisa que nunca vi no Brasil. Antes do treino, ele reúne o time em uma sala e explica o trabalho que vamos fazer”, diz. O treinamento dura cerca de duas horas. Mais diferenças: “Aqui não tem corrida longa. A maior parte é treino com muito pique, porque não tem preparador físico”.

Apesar do prestígio dos brasileiros na cidade, eles não têm jogado muito. O técnico Nanne Bergstrand acha que marcam muito pouco. Então, geralmente só um dos brazucas entra em campo como titular. “Fiz gol logo na estréia, mas depois ele me botou de reserva. Diz que eu não sei marcar”, lamenta Oliveira.

Quando acaba o treino, o ex-são-paulino e os amigos brasileiros são os últimos a deixar o CT. “Ficamos na resenha, né?”, brinca. Ou seja, eles moram, comem e treinam todos juntos. Como uma família. Longe e com saudade daquela de verdade.

Thiago Dias costuma ser interrompido no cinema por ligações de jornalistas gringos. Trabalhou no Lance. Hoje, é repórter do Globoesporte.com. Cobriu o título mundial do Inter e prepara um livro sobre o assunto. Escreve sobre futebol internacional às segundas-feiras.

2 comentários:

FER disse...

quero saber onde está jogando o Oliveira atualmente?
se possivel me responda por e-mail: felucena@hotmail.com
obrigada

David disse...

Olá, eu amo o futebol. Eu assisto os jogos aos domingos, onde jogam os brasileiros. meus amigos vêm para meu apartamento em caxias a e ver todos os partidos juntos, porque eu tenho uma TV muito grande.