quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Disciplina militar no nado sincronizado

Anastasia Ermakova (direita): o segredo é a treinadora (foto: AFP)

Por Lydia Gismondi

Pode parecer estranho, mas aquelas meninas lindas, delicadas, magrinhas e etc, do nado sincronizado, sofrem nas mãos das treinadoras. Quem só viu o esporte pela tv, provavelmente não faz idéia do que é o treinamento dessas meninas. Se das brasileiras já "tiram o couro", imaginem o que fazem com as russas, que têm a pressão de honrar a tradição do esporte no país... só falta o chicote!

Confesso que até pouco tempo atrás minha opinião seguia a "da massa". Imaginava que nado sincronizado, considerado por muitos uma dança e não um esporte, dependia muito mais do talento do que de treinamento. Pensava assim até tentar acompanhar um treino inteiro das russas. Digo tentar porque depois de quatro horas ininterruptas assistindo ao treino com o sol na cabeça, acabei tirando meu time de campo.

Apesar de imaginar que era necessário também força física, não acreditava que a resistência fosse tão importante nesse esporte. São mais de cinco horas de treinos diários sem nenhuma pausa. A Lara, a principal atleta brasileira da atualidade, costuma dizer que elas não podem nem dar uma apoiadinha na borda para descansar durante os treinos. Levando em consideração que são piscinas com mais ou menos três metros de profundidade, não deve ser fácil ter fôlego para se manter na superfície, muito menos dançando e fazendo acrobacias embaixo da água.

Assim como Lara, todas as atletas e treinadoras brasileiras destacam sempre a forma firme que as russas encaram o esporte. Não que na equipe brasileira o pensamento seja diferente... Na verdade, o que difere mesmo é a aquela velha história de infraestrutura. Nesse caso, somado ao imenso apoio dado ao esporte, tem a cultura do país. As crianças lá já nascem dançando. O nado sincronizado na Rússia pode até ser comparado com o futebol daqui. De milhares de praticantes, fica mais fácil tirar oito boas nadadoras, assim como acontece no Brasil com jogadores de futebol.

Nesse fim de semana, será realizado o Troféu Mundial de Nado, no Rio de Janeiro, no Parque Aquático Maria Lenk. Pude acompanhar alguns treinamentos, tanto da seleção brasileira quanto da Rússia, e saí de lá com muitas perguntas respondidas e outras novas. A principal questão que consegui resolver foi se o nado pode mesmo ser considerado um esporte. Agora, respondo sem dúvidas que sim. Mas saí de lá com uma nova questão: qual a explicação para a técnica russa berrar tanto com as atletas durante os treinos? Ainda mais elas sendo tão melhores assim do que as equipes dos outros países. Mas é berrar mesmo. Teve uma hora que eu fiquei constrangida achando que elas estavam brigando, apesar de não conseguir entender nenhuma palavra que diziam.

No dia seguinte, tive a oportunidade de perguntar para as próprias atletas e técnicas russas o segredo de tantos anos de sucesso. Uma das melhores atletas russas, Anastasia Ermakova, me disse que o segredo era a treinadora, que sabia muito bem levá-las ao limite. Já a técnica, respondeu que o segredo era simplesmente a disciplina.

Consultando em um dicionário todos os significados da palavra disciplina, concluí que as russas têm mesmo razão. Ainda falta muito para o Brasil, me refiro ao país e não especificamente às atletas brasileiras, chegar ao nível da Rússia.

Disciplina no dicionário:

Regime de ordem imposta ou livremente consentida; a ordem conveniente e necessária ao funcionamento regular de uma organização (militar, escolar, etc); relações de subordinação do aluno para com o mestre ou instrutor; observância de preceitos ou normas; conjunto de conhecimentos que se professam em cada uma das cadeiras ou matérias nos estabelecimentos de ensino; submissão a um regulamento; autoridade ou obediência a ela; ensino, instrução; educação.

Lydia Gismondi aderiu à Tropa de Elite aquática. Foi atleta do Botafogo. Trabalhou na assessoria Media Guide, e atualmente é repórter do Globoesporte.com. Escreve sobre esportes aquáticos às quintas-feiras.

2 comentários:

pedro ribeiro disse...

Lydia,

Sempre interessantes suas colunas aquáticas.

Muita gente não sabe, mas a audiência do nado sincronizado em grandes eventos como Olimpíadas é boa.

Fiquei pensando no fim de sua coluna. Se ficamos tão perplexos com determinados treinos, será que o resultado final vale a pena?

Quer saber algo mais chocante que nado sincronizado russo? Ginástica artística russa...

bj
pedro

Fábio André disse...

Lygia
Confesso q fiquei muito feliz em saber q és uma entusiasta pelos esporte aquáticos!!!...poucas pessoas são e lutam , quer seja divulgando notícias adversas aqui no país tupiniquim do futebol!
Quero lhe propor uma matéria que talvez possa lhe interessar sobre Maratonas Aquáticas, realmente, longas!!
Mês q vem, eu meu técnico iremos sair nadando em algumas praias do Rio visando treinar pruma maratona aquática de 43km q haverá em janeiro de 2008.
Acho que é um tanto incomum fazer um treino desses ainda mais em se tratanto de um treino com bastante volume
Como não sei como posso lhe contactar, resolvi postar aqui na esperança q vc lesse e entrasse em contato
Ah, eu também o patrocino o meu atual técnico...ele é o Glauco Rangel, não sei se vc o conhece
Forte abs
meu e-mail é:
fabioasld@gmail.com
Fábio- RJ