domingo, 21 de outubro de 2007

Você já comeu parkour?

Nem eles levam o Parkour a sério, por que eu levaria? (foto: divulgação)

Por Odisseu Kapyn

Sei que muitas pessoas têm escrito e-mails pedindo para eu avaliar esse ou aquele suposto esporte (mas, curiosamente, talvez por falta de conhecimentos cibernéticos dos leitores, não estou recebendo essas mensagens). Um desses pedidos, já reforçado por alguns colegas meus em uma mesa de bar, se refere ao parkour. Não são todos que conhecem essa modalidade de pronúncia escrota e filosofia bizarra. A palavra, assim como a prática, vem do francês e, portanto, se pronuncia “parcúr” (derivado de “parcours du combattant”, ou “percurso de obstáculo”).

Meu impulso era responder: “ora, mas o parkour é café-com-leite; não dá nem pra se candidatar a ser esporte, não é preciso gastar tempo explicando isso”. Essa minha resposta, devo confessar, também vinha do fato de eu nunca ter visto ninguém praticando parkour. Eu só tinha lido uma matéria na Superinteressante, o suficiente para quando me perguntassem se eu sabia o que era parkour, eu não respondesse “É uma espécie de peixe, né? Nunca comi” ou “É um rival do orkut, se não me engano. Não vou entrar nessa, não”.

Mas eis que finalmente conferi imagens da prática do parkour. Não foi ao vivo, pois é muito difícil encontrar por aí praticantes dessa modalidade (o que reforça a sensação de que não se trata de um esporte). Foi na TV que vi um monte de marmanjo pulando de muros, dando cambalhotas na rua, saltando contra árvores, jogando-se por cima de muretas, saltitando por cima de cilindros de concreto e correndo por avenidas.

Falando assim, não parece muito interessante de se ver por mais de um minuto. E não é mesmo. Mas tinha a Dani Suzuki apresentando o programa (Tribos, do Multishow) e resolvi ver até o fim, pois ela estava tentando algumas “manobras” de parkour (não dá para resistir a uma mocinha bonita saltitando, que o diga Baywatch e as moças da cama elástica no fim de The man show, do canal FX).

É claro que também quis assistir ao programa para ver se rendia um artigo mais minucioso contestando a intenção de o parkour ser um esporte. No entanto, logo de cara, um de seus praticantes já disse que aquilo não era esporte, já que não havia competição. Teve outro sujeito que falou que havia gente que achava que era esporte radical, mas não mostrou muita convicção. Deu para perceber que os caras não se levam a sério. Ainda mais quando um deles falou que o Homem-Aranha é o “ídolo máximo” deles.

É, isso soa tão ridículo quanto um fundista dizer que o The Flash é o ícone dos corredores. Ou um halterofilista dizer que seus colegas têm profunda admiração pelo Hulk. Ou ainda, um praticante de patinação artística se declarar fã do Capitão Gay. Pelo bizarro da menção ao Homem-Aranha, por certa dose de humor involuntário no transcurso do parkour (falhas em escaladas de muro lembram clássicos do desenho animado infantil), acabei nutrindo uma certa simpatia pela modalidade.

Os caras que praticam sabem que aquilo ali não é nada demais, que não é esporte, que não é sério, que é só uma brincadeira, que ninguém os admira a ponto de querer dar-lhes medalhas. A própria Suzuki apareceu depois no site do Multishow dizendo que antes “não via graça nessa coisa de pular murinho”, mas que depois que conheceu a tribo de praticantes, viu que “a parada é muito maneira”. Deve ter sido pela humildade dos “parkuzeiros (?)”, uma espécie de skatistas sem skates e, principalmente, sem marra.

A humildade dos “parkuzistas (?)” só se abala em algumas de suas declarações sobre a filosofia da atividade (“nos livramos da opressão dos muros”) ou quando eles vislumbram na prática uma utilidade maior. Apareceu no programa um guarda municipal dizendo que a corporação planejava treinar com eles, para utilizar as práticas em perseguições pelas ruas. Imaginem se a moda pega: um PM gordo dando cambalhotas e ricocheteando entre paredes enquanto um ladrão de celular foge em linha reta empurrando todos à frente.

Em outro momento, um “parkuísta (?)” lembrou o último filme de James Bond, no qual um personagem dá uma canseira no 007 ao usar o parkour para fugir do agente por vários minutos. Imaginar-se ali naquela ação cinematográfica é como um esgrimista achar que consegue sustentar mais de 10 segundos de luta, como nas coreografias dos filmes de capa-espada. De qualquer forma, não dá para não achar legal uma atividade na qual o praticante diz que sofria preconceito da polícia por acharem que eles estavam fazendo “treinamento pra bandido”.

Odisseu Kapyn acha que o parkour foi determinante para Napoleão perder a guerra. Ganhou fama no Cocadaboa. Hoje, escreve na Revista M e no blog Humor Marrom, e apresenta o Ponto Cômicos, grupo de comédia stand-up em cartaz na Casa da Piada, em Copacabana, às quartas. Faz suas gracinhas aqui aos domingos.

8 comentários:

pedro ribeiro disse...

O.K.,

Uma coisa nesse "esporte" me intriga: eles devem ter o melhor assessor de imprensa do mundo...

Deve ser o mesmo do Fernando Diniz...

Esse negócio é matéria na tv, no jornal, na internet, em tudo...

Te acompanho desde o cocada... Bom escrever contigo aqui camarada...


abs,
pedro

Anônimo disse...

Valeu, Pedro

bom saber que vc lê a coluna. gosto muito da sua. às vezes, só não choro pq sou macho paca. muito bem escrita, com boas sacadas de estilo.

abs

OdKap

Fernando disse...

O praticante de parkour, na verdade, me parecem incompetentes.

Nao sao bons o suficiente para se manterem sobre o skate e, assim, realizarem suas manobras. Tampouco sao bons para integrar o elenco do Cirque du Soleil.

Sua coluna esta otima! Show!

Rony Bonani disse...

Sua coluna é um lixo.
E não é porque sou praticante de parkour há 1 ano que tomei essa decisão.
Você não tem base nenhuma para dizer tais coisas,sim muitos TRACEURS(coisa que o senhor,colunista nao teve a CAPACIDADE de pesquisar,o nome de quem pratica parkour é traceur).
Não vou ficar aqui defendendo o parkour para um cara que mal pesquisa algo para sair por ai falando abobrinhas.
Ver o parkour na televisao é facil,sim,muitos traceurs acham que levam a sério o parkour mas o fazem de forma erronea.
Parkour não é um esporte,parkour não é um esporte radical,parkour é uma disciplina com base em evolução,o traceur de verdade não usa parkour para fugas,o traceur usa os obstaculos urbanos para evoluir sua mente (medos,objetivos,etc) e para evoluir seu corpo (agilidade,destreza,força,flexibilidade).

E toda parte filosofica vem para ajudar-nos a praticar o parkour de uma forma muito séria e objetiva.

Não confundam o Parkour com o Freerunning,inclusive vim em seu blog para pegar a imagem,para abordar o mesmo assunto no orkut,e infelizmente me deparei com uma pessoa AMADORA,não se critica uma coisa sem base para falar dela.
Sua critica é egoista e de mal gosto.
Abraços,espero que se deseja que esse seja seu futuro,espero que reveja seus conceitos e faça criticas construtivas,porque a sua não vale de nada na vida de ninguem.
Se quer mostrar que vc sabe montar um texto,faça livros de portugues,o que importa para o publico não é o texto,e sim o assunto.

nil - le parkour disse...

Só por falta do que fazer nesse momento vou comentar aqui tbm (nao fosse isso seria maior perda do tempo)
Concordo com o Rony
Acho esse fulaninho um colunistazinho BARATO e CHARLATÃO, sequer lê (deve ser mais um desses analfabetos que acham que sabem alguma coisa)...
É isso.
Pra quem tem um mínimo de senso crítico, pesquise no site < www.abpk.org.br > e leiam o artigo da carmem soares em < http://www.boletimef.org/?canal=12&file=875 >

Jean disse...

Pois é rapaz. Pratico Parkour a 4 anos, mas pior que compreendo completamente a sua impressão. Muita gente (incluindo muitos que participaram de tal matéria) de fato são imbecis que gostam de pular por aí e acha bonito aparecer.
Em nossa defesa digo que nem todos são assim, e isso vai completamente contra a filosofia do Parkour.
Aliás pode parecer meio imbecil falar de "filosofia do parkour", mas é algo que quando vc vê vai além de "pular por aí", e sim tem toda uma parte de fortalecer (corpo e mente) e um monte de bla bla bla que se eu falar aqui e vc nao for aberto a isso vai me chamar de idiota tambem.

Não considero Parkour um esporte ou mesmo "esporte radical", principalmente por não se tratar de uma atividade competitiva, ou dotada de regras, mas aí vai da definição pessoal de cada um. Alguns acham que "esporte é qualquer tipo de atividade física", nesse caso encaixaria, mas sei lá.

É algo simples que toda criança faz, e uma hora deixa de fazer pq acha que ta grande demais e tem medo de parecer bobo, ou a mãe diz que não pode por o pé na parede.

Enfim, se tiver interesse (o que eu duvido) tem uma pá de sites interessantes por aí, só dar uma procurada. Como sempre, uma reportagem de uma gostosinha qualquer pra uma TV "jovial da galera" não vai ser a melhor referência que vc vai achar.


E muito menos os comentários dos imbecis acima.

Te conheço a anos do Cocadaboa, mas não conhecia esse blog, boa sorte ae.

falow

Anônimo disse...

o amaral do vasco e uma mumia em campo porque o vasco nao troca eli pelo o jonas do gremio o amara e nada e a mesma coisa

Anônimo disse...

Quem escreveu esse post é um idiota. Parkour é uma arte muito respeitável e que exige muita disciplina.