quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A volta

Jaime Oncins volta às quadras em setembro (foto: divulgação)

Nesta terça, foi anunciada a volta de Jaime Oncins ao tênis. Ele participará das finais do Troféu Brasil nos dias 8 e 9 de setembro, representando seu clube, o anfitrião Paineiras do Morumby, de São Paulo. Jaime Oncins foi um tenista de resultados internacionais apenas razoáveis. Ganhou dois torneios de simples da ATP em toda sua carreira, um deles em Búzios. Alcançou o auge 15 anos atrás, em 1992, com semifinais de Copa Davis, quartas-de-final em Olimpíadas, oitavas em Roland Garros. Foi ídolo do tênis brasileiro, entretanto. Parou em 2001. Tem 37 anos.

Sou a favor da volta de Jaiminho. Sou a favor também do retorno de Cássio Motta, Fernando Roese e Luiz Mattar. Aproveitaria para tirar Thomaz Koch dos torneios de veteranos e Maria Esther Bueno dos comentários na televisão. Levaria Edison Mandarino de cadeira de rodas para dentro da quadra. Infelizmente, o regulamento não permite a participação de Carlos Santos e Maurício Pommê, campeões no Parapan.

Todos eles, tenho certeza, conquistariam resultados tão expressivos quanto nossos principais jogadores na atualidade. Seriam alvo da curiosidade mundial, pelo menos. Curiosidade esta que passa ao largo do tênis brasileiro pós-Guga, e não há motivo para ser diferente.

A banda passou, a febre acabou, a mídia também. Baixada a poeira, não restaram nem os pôsteres nas paredes da garotada mais abastada. Outros da NBA provavelmente voltaram aos seus lugares. O Brasil não soube capitalizar um número 1 do mundo, tricampeão de Roland Garros. E não foi por falta de dinheiro. Nosso glorioso Troféu Brasil, que todos conhecem (como não?), tem patrocínio da Fiat. Os maiores centros de treinamento do país são particulares. E cobram caro.

A massificação não ocorreu, e não é porque o tênis é um esporte caro. Na Argentina, que possui condições econômicas semelhantes às nossas, brotam tenistas de qualidade. O modelo lá, entretanto, é diferente. Papo para uma futura coluna.

Exemplo da importância dada ao tênis pelos dirigentes esportivos do país, a modalidade não teve sequer uma arena permanente construída para o Pan. Em termos técnicos, foi seguramente uma das mais fracas entre todos os 34 esportes disputados. Medalha de ouro, Flávio Saretta era o 138° no ranking mundial na oportunidade.

Apenas no início de agosto, após o Pan, portanto, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Jorge Lacerda da Rosa, esteve em Brasília para concatenar apoios político e financeiro para um inédito centro de excelência no país, que ficaria em Goiás. Projetos para um bom aproveitamento da Lei de Incentivo ao Esporte, assinada no último dia 3 pelo presidente Lula, começarão a ser pensados a partir deste mês, segundo a CBT. Perder o timing é especialidade da casa.

Quem não perdeu tempo foi Jaiminho, que estará ao lado dos melhores do país atualmente no incógnito Troféu Brasil. Enquanto isso, no US Open, que reúne 128 tenistas, nenhum brasileiro está garantido na chave principal. Não temos representantes entre os 100 melhores do mundo, e só emplacamos três entre os 200 melhores. Mas nem tudo está perdido. Guga ainda não se aposentou, certo?

Infelizmente, a especialidade da casa dele é a mesma da CBT...

Bernardo Calil aprendeu a gostar de tênis pela voz de Rui Viotti na extinta Rede Manchete. Trabalhou como jornalista no UOL, no Globoesporte.com e na Globosat. Hoje, milita em outros fronts. Escreve sobre tênis às terças-feiras

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