terça-feira, 28 de agosto de 2007

Os ovos de ouro vão acabar...

Revelado no Inter, Sóbis hoje defende o Betis, da Espanha (Foto: El Mundo)


“Está faltando craque no futebol brasileiro.” A frase dita no último sábado pelo técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, é um alerta para todos que acompanham e vivem do esporte no Brasil. No popular, o depoimento do treinador do time de maior sucesso no país nos últimos anos poderia ser traduzido assim: “Estão matando a nossa galinha dos ovos de ouro”.

A morte está sendo lenta, mas em um ritmo constante. É só acompanhar atentamente qualquer seção de transferências para o futebol internacional de sites especializados para atestar que quem é craque, projeto de craque, pseudo-craque ou até “na média” não esquenta cadeira aqui no futebol brasileiro.

Você deve estar se perguntando qual o motivo de esse tema ser a minha coluna de estréia neste Por Esporte, já que a nossa “inesgotável” fábrica de produzir talentos dá conta desse êxodo de jogadores. Não é bem assim. Aliás, não é nada assim. Isso porque essas novas fornadas não têm tempo para crescer e aparecer no futebol brasileiro. Cada vez mais cedo estão sendo retiradas das nossas “prateleiras”.

Assim, quando Pato, William, Carlos Eduardo, Rafael Sóbis, Anderson e Lucas, isso só para ficar entre as promessas que saíram do Brasil com menos de 19 anos, se concretizarem como craques, eles não ajudaram em nada a elevar o nível do futebol brasileiro. Ou seja, a reposição de craques (no caso projeto de craques) houve, mas não foi efetiva para o futebol jogado aqui.

Isso é preocupante porque o futebol brasileiro está se resumindo a projeto de craques com idades entre 16 e 18 anos (reparem que há pouquíssimo tempo atrás, essa faixa era pelo menos entre 18 a 20) ou então jogadores com mais de trinta anos, que estão voltando do futebol europeu e muitas vezes já estão jogando com o nome.

Como o torcedor não é bobo, o reflexo disso é imediato. Há várias edições a média de público do Brasileirão sua para ultrapassar os dez mil pagantes (média ridícula se comparada com os principais campeonatos do mundo). A imprensa (inclusive quem paga cara pelos direitos do espetáculo) não tem como evitar falar mal do nível do futebol praticado aqui. No longo prazo, isso vai resultar numa diminuição do dinheiro circulando no meio.

A verdade é que o produto futebol brasileiro é cada vez mais mal tratado e está se desvalorizando. Algo precisa ser feito para evitar isso. Se não, é bom segurar os “nossos últimos ovos de ouro”.

* * *

Vocês querem provas do empobrecimento do futebol brasileiro? Zé Roberto, do alto dos seus 33, passou uma temporada por aqui (seria um ano sabático?) e foi considerado o melhor jogador do país de forma unânime. Por quê? Porque era um jogador muito acima da média nacional. Tanto é verdade que agora, após voltar ao Bayern, é apenas mais um na constelação de craques do time alemão (que nesse começo de temporada pinta como melhor time da Europa. Mas isso é outro assunto, muito bem conduzido pelo amigo Thiago Dias aqui neste espaço).


Vitor Sérgio Rodrigues tem visão periférica, mas gosta é da banheira. Foi repórter do Lance, Jornal dos Sports e Globoesporte.com. Cobriu as Olimpíadas de Atenas. Hoje, é comentarista da Band e da Tv Esporte Interativo. Escreve para o Por Esporte às terças-feiras.

2 comentários:

Marcos Serra Lima disse...

Parabéns pelo blog. Estou impressionado com as informações e com o olhar crítico desta turma de jornalistas.
Ainda não conhecia este espaço. A partir de agora, além de vir visitá-lo diariamente, farei propaganda no meu blog também.
Uma pergunta: existe algum vascaíno que escreve sobre futebol?

Segunda: Nos dias seguintes aos "clássicos" rubro-negros, é seguro passar por aqui?

Terceira: o Juan Torres que escreve sobre basquete, beisebol e softbol é o Juan Torres que conheço????????????

Pedido: de qualquer forma, mande um abração para o homônimo.

Marcos Serra Lima.

Juan Torres disse...

Meu caro Marquinhos,

Repare que eu não escrevo sobre basquete, nem beisebol, nem softbol. Escrevo apenas sobre esportes hípicos. Mas isso não significa que não possa te dar umas lições de basquete, beisebol, softbol ou tênis de mesa.

A tempo: sinta-se livre para fazer a propaganda que quiser. E já que você, modestamente, não fez a sua, aproveito para indicá-lo aqui. Grande fotógrafo. Confiram em www.marcosserralima.com

Abs,

Juan