terça-feira, 23 de outubro de 2007

Melhor do Rio! E daí?

Torcida do Fla dá show, mas o time não está nem no G4 (foto: globoesporte.com)

Por Emiliano Tolivia

Sei que tem gente me xingando, rogando pragas por causa do título do artigo. Pé de pato mangalô três vezes e vamos em frente. Salvo engano, o grito de “ô ô ô melhor do Rio!” originou-se na torcida do Fluminense em 2000 ou 2001. Particularmente, sempre achei esse pensamento um tanto quanto medíocre, levando-se em conta que estamos falando do futebol carioca. O Figueirense pode ser o 12º e, ooô, é o melhor de Floripa. O Goiás, idem. O América-RN? Mesma coisa, vejam só! Mas o Flamengo não pode. Nem o Flu. Tampouco Vasco ou Botafogo. E todas as torcidas já cantaram essa desgraça.

É o roto rindo do esfarrapado. É o pobre coitado que mora em barraco de papelão rindo do mendigo que dorme ao relento. É a Ponte Preta gozando o Guarani. Quem é o melhor do Rio? De repente é o Flamengo, sim! Mas porque é o atual campeão carioca. Ou, quiçá, seja o Fluminense, vencedor da Copa do Brasil e único clube já classificado para a Taça Libertadores. O Botafogo o foi também, mas quando era líder do Brasileirão. Ou, no mínimo, o quarto colocado, ainda beliscando uma das vagas. Agora, após 32 rodadas, só existe o menos pior.

Então, voltando ao Tricolor das Laranjeiras, que foi o primeiro exemplo. Foi o melhor do Rio em 2000, 2001 e 2002. Não ganhou um único Brasileiro e não se classificou para a Libertadores em nenhum desses anos. Quem está nesta onda agora é o Rubro-Negro. Se entrar no G4, aí sim. Caso contrário, vai cair no mesmo erro dos rivais.

É engraçado (ou trágico) ver um comportamento tão provinciano na cidade (e povo!) mais cosmopolita do país. Talvez seja reflexo de um crescente sentimento de inferioridade em relação a São Paulo no que diz respeito à riqueza - em geral - e estrutura – no futebol especificamente. Talvez, o São Paulo, o clube, e até o Santos estejam se tornando inalcançáveis demais em um modelo de pontos corridos que já não permite times heróicos ou arrancadas de última hora.

A euforia do Flamengo é perfeitamente compreensível. Para variar, os rubro-negros quebraram o recorde de público da competição. Para um clube que passou o tempo inteiro beirando a zona do rebaixamento, dormindo nela por uma rodada, vislumbrar a Libertadores é quase um título. Mas não é. E um clube como o da Gávea – assim como o de Laranjeiras, de General Severiano e de São Januário -, não pode se contentar com tão pouco. O Rio é muito pequeno para os clubes do Rio.

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Ainda o Flamengo, ninguém poderia acreditar nessa arrancada. Mais um milagre de Joel Santana, que atualmente parece só dar certo no clube. Quem sabe, desta vez, a estátua sai. A missão ainda é complicadíssima, mas cada vez mais palpável. O maior obstáculo do treinador é fazer o time jogar como visitante da mesma forma que atua em casa. E isso, até o momento, não aconteceu.

Uma minoria cética de flamenguistas – prudência não é uma virtude rubro-negra, convenhamos – acredita que o time vai se complicar contra o maior lanterna de todos os tempos América, em Natal. Há também quem festeje o fato de, talvez, o jogo ser realizado com portões fechados. Pois aí eu acho que o Flamengo sai perdendo. A torcida rubra já não tem comparecido em peso e compromisso do Fla no Nordeste é sempre sinônimo de casa cheia. Com a presença da galera, a maioria nas arquibancadas seria do clube carioca e, fatalmente, estaria criado um certo clima de Maracanã.

Agora, sem querer secar? Euforia em excesso, como qualquer coisa na vida, faz mal. A torcida do Flamengo vive há mais de um quarto de século a fanfarra de “Rumo a Tóquio”. Regozija-se de uma conquista que aconteceu, claro, mas há tempos. A era Zico acabou há um bocado. E isso, acreditem, no fim das contas faz mal ao clube. A empolgação é benéfica, desde que não substitua a razão. É um mal das massas. A chance existe, mas já não há mais Leandro, Júnior, Andrade, Adílio e Nunes. Vai ser, se for, Bruno, Leonardo Moura, Ibson, Souza. Muito suor. E muita sorte.

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Perigo à vista: Galera Flores está prontinho para voltar, logo na posição em que o Flamengo é mais carente: quarto homem de meio-campo. Até que o Toró tem seu valor, sabia...

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Renato está certíssimo ao dizer que há uma fila de pretendentes a envergar a camisa do Fluminense em 2008, ano em que o clube volta a disputar a Libertadores. Que atuação ridícula contra o Goiás! Um time que faz três gols na casa do adversário não pode perder o jogo. Ainda mais contando com a segunda melhor defesa do Campeonato Brasileiro. Mas conseguiu buscar cinco gols na rede – verdade seja dita, Fernando Henrique não falhou em nenhum deles.

Nem FH, nem Thiago Silva, que, além de jogar bem, bateu com extrema categoria os dois gols. No segundo, nitidamente deu um chega para lá no Gabriel, que havia perdido a cobrança contra o São Paulo, após Thiago Neves ter convertido a primeira. Uma atuação para lembrar, e muito, porque o maior torneio das Américas não permite um comportamento tão displicente.

Por falar em Libertadores, meu colega e amigo Caio Barbosa, setorista do Fluminense para o Globoesporte.com, dá em primeira mão que Carlos Alberto pode reforçar o Tricolor novamente em 2008. Excelente notícia! Mesmo sem ter realizado o primeiro semestre exuberante que dele se esperava, o meia foi muito importante para a conquista da Copa do Brasil.

Sua simples presença em campo preocupava os adversários. Adriano Magrão fez um gol atrás do outro porque estava sempre sozinho, enquanto CA se concentrava em prender três marcadores. Esse quadro só mudou quando Thiago Neves ganhou respeito no cenário nacional. Esse ínterim, coincidentemente, foi o de pior aproveitamento do Flu no Brasileiro.

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Romário é o novo técnico do Vasco! Pior do que o Celso Roth não deve ser. Eu já havia dito que tinha gato-mestre dizendo “não falei que o Roth era bom treinador?”. Depois que a equipe cruzmaltina desandou a perder e despencou na tabela, nada mais se ouviu. Some-se mais este fracasso ao seu retrospecto – nem tão – recente e vamos ver que ele é... o Mário Sérgio.

E o Baixinho? Vai ser disciplinador? Estrategista? Oba-oba? Vamo-que-vamo? Eu acredito que não passa de um ou dois jogos no cargo. E também que ele não vá seguir os passos de Renato Gaúcho, que ninguém poderia prever que, após toda sua polêmica carreira, viria a se tornar um técnico de respeito. O mais interessante é que, ao contrário do amigo de praia, Romário tem condições de entrar em campo, o que não acontecia quando Renato assumiu o Flu em 1996. Precárias, mas tem.

Pavio curto do jeito que é quando o assunto é reclamar de companheiro de ataque, três substituições serão poucas para o professor Romário. Mas... treinar pra quê?

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Golaço de Lucio Flavio, golaço de Dodô e o Botafogo volta a vencer no Brasileirão, desta vez contra o Sport, no Engenhão. Mas a cena mais marcante da partida foi a fratura na perna sofrida por Luciano Almeida. Botinudo de marca maior, o lateral conseguiu se machucar sozinho, executando a jogada que é sua especialidade: o carrinho.

Bom, desta vez, pelo menos quem levou a pior foi ele, e não seu pobre marcador. Caso alguém não lembre, o lateral que vibra mais com (nem sempre limpos) desarmes do que com seus (raros) gols quebrou a perna de Reasco, do São Paulo. Jogo este em que Túlio também chutou o rosto do atacante Leandro, quando este estava caído no chão.

No lance em que machucou Reasco, Luciano Almeida não chegou a fazer uma falta desclassificante. Mas deu aquele “totozinho”, famoso “rápa”, “chegada junto”, em vez de visar à bola. E deu no que deu. Não desejo o mal de ninguém, longe de mim, mas não há como não ver uma irônica justiça nisso tudo. Tomara que, no tempo em que vai ficar parado, o alvinegro reflita e repense seu modo de se comportar em um campo de futebol. Violência é uma coisa. Raça é outra. A bruxa está solta. Te cuida, Sandro Goiano!

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Seleção carioca da rodada:

Bruno, Leonardo Moura, Thiago Silva, Fábio Luciano e Egídio; Cristian, Perdigão, Ibson e Lucio Flavio; Dodô e Souza
Técnico: Joel Santana

Momento Carlos Augusto Montenegro da rodada:

“Joilson, a partir dos 25 minutos do segundo tempo, pedia para sair com dorzinha na perna; Dodô, aos 36, chegava à beira do campo e falava que estava com dor de barriga; o capitão Juninho não abriu a boca; e Jorge Henrique queria sair, pois estava com dor de cabeça”

O próprio, em e-mail enviado ao jornalista Arnaldo Bloch, ainda falando sobre a fatídica derrota para o River Plate, pela Copa Sul-Americana.

“Se estivesse bem, ia requebrar até o chão e tomaria o meu vinho”

Somália, do Fluminense, rebatendo as críticas do técnico Renato Gaúcho por ter ido a uma boate com Ronaldinho, Robinho e Cia. após a vitória da seleção brasileira sobre o Equador, no Maracanã. O centroavante-bailarino lesionou o joelho e deve ficar cerca de oito meses longe dos gramados.

Emiliano Tolivia é melhor que o Eto'o, melhor que o Henry, mas respeita o Pelé. Passou pelo Lance, assessoria de vôlei de praia da CBV e atualmente é subeditor do Globoesporte.com, pelo qual cobriu a Copa 2006. Escreve sobre futebol carioca às terças-feiras.

9 comentários:

ricardo disse...

Concordo com vc, acho ridículo os times do Rio de Janeiro se contentarem apenas pelo fato de serem os melhores diante dos outros 3 daqui. É por isso que vivemos uma realidade em que a paulistada tá sobrando na turma. E o Fluminense tá se achando também o "tal" pelo simples fato de ter ganho a Copa do Brasil, torneio que reúne os níveis médio e baixo do futebol brasileiro, assim não dá!
Por isso que o Caixa d'água ficou na presidência da FERJ até a morte.
Basta!

Emiliano Tolivia disse...

Fala, Ricardo!
Pois é. Caixa D´Água foi um câncer, mas não foi o único. Ainda tivemos Eurico (aida temos...), Álvaro Barcellos, Gil Carneiro de Mendonça, Edmundo dos Santos Silva, Rolim, Mauro Ney e a lista ainda é longa e atual. No caso do Flu, a Copa do Brasil é o único título nacional que os clubes cariocas podem almejar no momento. Qualquer clube que a conquiste fará festa, assim como fez o Fla no ano passado. Se bobear, é o único jeito em que um carioca disputará a Libertadores. Vamos torcer por dias melhores.

Abraço!

Daniel Lessa disse...

Egídio na seleção da rodada? Senhor zero-meia, o senhor é um fanfarrão!!!!

Emiliano Tolivia disse...

Caveira, as opções eram terríveis...
Junior "gol contra" Cesar, Eduardo expulso no primeiro tempo e Luciano Almdeida machucado sozinho. Foi efetivamente por eliminação. Abraço!

Fernando disse...

Fala, Emiliano!

Concordo com vc. O Romário não pode ser pior que o Roth.

Só que, de fato, ele precisaria que as regras fossem como as dos esportes americanos, para que pudesse fazer substituições à vontade. Afinal, como o próprio Romário disse, isso vai ser como na pelada dele.

Resta esperar para ver o que a partida dessa noite vai guardar de surpresas.

Emiliano Tolivia disse...

Fala, Ricardo!
Pelo menos, o Romário está se mostrando sensato e não se escalou de início. Mas já disse que vai entrar no decorrer do jogo. estou curioso! Mas pior que o Roth, não será, realmente

Abraço!

Ivan disse...

Tú é um tricolorzinho invejoso e parcial!

Emiliano Tolivia disse...

Ivan,
Sei lá quem é vc, mas só posso deduzir que seja um retardado

Abraço e volte sempre

Dan disse...

Apenas um Dado

Campeão brasileiro
80-82-82-87-92-09